Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Brandão Rodrigues jura disponibilidade para negociar, mas não responde a perguntas

Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O ministro da Educação esteve no Parlamento mas resistiu em responder a todas as perguntas que lhe foram feitas sobre a contagem do tempo de carreira dos professores. No final, jurou disponibilidade para negociar com os sindicatos. Nada mais.

Quatro perguntas, zero respostas. Foi este o saldo da audição de Tiago Brandão Rodrigues, no Parlamento. O ministro da Educação tinha sido chamado à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda para responder perante o braço de ferro que se vai mantendo entre Governo e sindicatos dos professores. Mesmo depois de mais de uma hora e meia de audição, o ministro acabou por não responder às perguntas que os vários deputados foram fazendo.

Foi Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, quem definiu as quatro questões que dominaram a discussão parlamentar: o Governo mantém como limite negocial os 2 anos, 9 meses e 18 dias que propôs aos sindicatos? O grupo técnico criado pelo Governo para avaliar o impacto orçamental da contagem do tempo de carreiras dos professores significa que o Executivo assume que os números inicialmente apresentados (600 milhões de euros) não refletem a realidade? Qual é o prazo de funcionamento deste grupo técnico? O que quer dizer o Governo quando se propõe negociar a “mitigação dos efeitos do congelamento” das carreiras dos docentes?

Estas perguntas acabaram por ser repetidas, de uma ou de outra forma, pelos vários grupos parlamentares. No entanto, Tiago Brandão Rodrigues acabou por não esclarecer cabalmente os deputados, falando durante largos minutos sobre outras questões. De tal forma que, às 15h25, quase uma hora depois do início da audição, Joana Mortágua acabou por desafiar o ministro a dizer “alguma coisa” sobre o objeto da audição requerida pelo Bloco.

Tiago Brandão Rodrigues resistiu e garantiu apenas e mais uma vez que o “Governo nunca rompeu negociações, nunca foi intransigente ou foi inflexível” com os sindicatos e que está “completamente na mesa negocial”.

À esquerda e à direita, os vários grupos parlamentares foram exigindo respostas concretas e transparência ao ministro da Educação. Diana Mesquita, do PCP, não podia ter sido mais clara: “9 anos 4 meses e 2 dias. Sim ou não, senhor ministro?”, perguntou a deputada.

Não teria uma resposta diferente. “Defendo intransigentemente a negociação (...) Há muitas formas de levar o barco a bom porto (...) Não pomos de parte o que é que a negociação (...) Não há nenhum desvio face ao programa do Governo (...) Não há nenhum desvio relativamente à Lei do Orçamento (...) Nós não somos intransigentes (...) Esperemos que os sindicatos não sejam intransigentes (...) Eu e a minha equipa continuaremos a trabalhar (...)”, foi dizendo Brandão Rodrigues. Sem mais.

Com Mário Nogueira, líder da Fenprof, a assistir à audição do ministro, Tiago Brandão Rodrigues recusou-se por diversas fazer a “classificar” as ações dos sindicatos que representam os professores. Em sentido contrário, o governante fez várias referências a “outras formas de vida, nem todas elas alienígenas”, e a “movimentos muito menos orgânico e entendíveis”, que podem ameaçar a democracia. Com o recém-formado Stop (Sindicato de Todos os Professores) a ser o único a manter a greve às reuniões de avaliação não é difícil adivinhar a quem se referia Brandão Rodrigues.