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Jerónimo de Sousa: "Santos Silva não falou sozinho. Há uma conflitualidade insanável"

MÁRIO CRUZ/LUSA

Com a aprovação do Orçamento de Estado não há problema - "O PCP não parte com pedras no sapato" e a relação com António Costa é de "grande honestidade". Já quanto ao futuro da geringonça, Jerónimo de Sousa valoriza o que disse "o nº2 do Governo": "Há uma conflitualidade insanável"

Jerónimo de Sousa baixa a tensão vivida com o Governo nas últimas semanas e desdramatiza a aprovação do próximo Orçamento de Estado, mas quanto ao futuro da geringonça reconhece que há "uma conflitualidade insanável".

Em entrevista ao DN, o secretário-geral do PCP explica o fosso que separa comunistas e socialistas. "O maior compromisso do Governo é com as regras da UE e do euro. Para o PCP, é com os trabalhadores e com o povo. Há uma conflitualidade insanável", diz.

Jerónimo de Sousa valoriza as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros e nº2 do Governo que, na semana passada, disse ao Público que a geringonça só tem futuro se o acordo à esquerda se estender à política europeia. "Essa afirmação da segunda figura do Governo, e estamos a falar da segunda figura do Governo, não de um deputado do PS, levanta uma questão importantíssima, independentemente da forma", afirma o líder comunista, convicto de que "O senhor ministro não falou sozinho".

Sem dar, para já, como frustradas as hipóteses de se pensar numa "geringonça II", Jerónimo reconhece que as palavras de Santos Silva remetem para uma questão "que ainda está por esclarecer". Ou seja, uma vez aprovado o Orçamento de Estado, a conversa decisiva sobre o futuro nem vai ser fácil nem é promissora.

Claramente apostado em conseguir um acordo no que toca ao Orçamento para 2019, o secretário geral do PCP elogia o primeiro-ministro e a relação que com ele tem mantido desde que, em 2015, ambos deram o pontapé de saída para o acordo à esquerda que permitiu apear o PSD, que tinha ganho as eleições.

: "Nós agimos com grande frontalidade e quero também dizer que por parte do primeiro-ministro sempre houve também esse posicionamento. Creio que podemos dizer que houve sempre uma grande honestidade entra as duas partes", afirma Jerónimo. Bom clima para aprovar o OE.