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Líder do PSD de Coimbra teme que Conselho de Ministros em Pampilhosa da Serra seja "mais um ato de propaganda"

Maurício Marques louva deslocação do Governo ao concelho devastado pelos incêndios do verão passado, mas diz recear que programa de incentivos seja mais um ato de medidas avulsas no desígnio da coesão territorial. Líder do PSD local critica cortes florestais desenfreados que, antecipa, levarão ao abandono dos seus proprietários

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O presidente da Distrital do PSD de Coimbra considera que a incursão do Governo ao interior do país é sempre “louvável” pela visibilidade dada às regiões esquecidas, embora seja “cético” quanto aos resultados efetivos do Conselho de Ministros deslocalizado este sábado para a Pampilhosa da Serra. Maurício Marques recorda que, no outono de 2016, o Governo também promoveu na Lousã um Conselho de Ministros Extraordinário, “na sequência dos incêndios de verão”, mas afirma que boa parte das anunciadas medidas de valorização e gestão da floresta “ficaram na gaveta, como se viu nos grandes fogos do ano passado”.

Apesar de os programas de incentivo ao investimento no interior do país serem bem-vindos, como o anunciado, hoje, pelo ministro Adjunto Pedro Siza Vieira no âmbito do Portugal 2020, o deputado teme que este seja “mais um pacote de medidas avulsas e um ato de propaganda” no combate à desertificação das zonas de menor densidade populacional.

Em Pedrogão para avaliar o que está ser feito após a tragédia do verão passado, Maurício Marques lamenta a forma como o Governo está a conduzir a reforma da floresta, “marcada por cortes desenfreados e absurdos de árvores, com custos elevados para os proprietários”. O deputado antecipa que a forma como a limpeza dos terrenos florestais está a ser conduzida “afasta o investimento e vai levar ao abandono da terra, multiplicando a zona de mato e terreno inculto”.

Maurício Marques refere que a legislação de 2006 da reforma da floresta já previa a abertura de faixas de proteção, razão pela qual defende que o que “é preciso é cumprir as leis em vez de avançar aos soluções com novas medidas”. O líder do PSD de Coimbra adverte que o que falhou em junho e outubro de 2017 foi, sobretudo, a parte do combate aos incêndios, a que a tutela “não deu a devida atenção, e não a questão da limpeza dos terrenos”.

O deputado aconselha os membros do Governo a aproveitarem a ida a Pampilhosa da Serra para ouvirem os residentes, advertindo que o “aumento das áreas descobertos de árvores é prejudicial para a fauna e flora”, face à maior exposição solar. Marques remete para um trabalho de investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que refere “que a maior exposição solar potencia a criação de mato e de matéria combustível na ordem dos 5 mil metros quadrados por hectare, enquanto na sombra o crescimento é de cerca de dois mil metros quadrados”.