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Autarca de Pampilhosa da Serra elogia Governo: "Deu sinal que o interior não é um fardo para o país"

O interior começa a estar no radar das preocupações gerais

Marcos Borga

José Brito Dias afirma que Primeiro Ministro revelou, este sábado, vontade de ajudar o território devastado pelos incêndios de 2017. Presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra destaca mecanismos de apoio à reconstrução das casas ardidas nos fogos de outubro e IRC zero para empresas consoante a criação de postos de trabalho, fundamental no combate ao despovoamento do interior, diz

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O autarca do PSD de Pampilhosa da Serra afirma que o Primeiro Ministro deu, este sábado, um sinal importante às regiões do interior, ao deslocalizar a reunião extraordinária do Conselho de ministros. “O Governo demonstrou que está atento a uma região que tanto sofreu com os incêndios do verão passado, ao contrário do esquecimento a que fomos votados após os grandes fogos de 2005, em que ardeu 26 mil hectares do nosso território”, afirmou ao Expresso José Brito.

O presidente da Câmara de Pampilhosa da Serra, a cumprir o seu terceiro no concelho governado pelo PSD desde 1979, recorda que nos incêndios de junho arderam 8 mil hectares de terreno, mais 20 mil nos de outubro, tendo sido atingidas pelas chamas 607 habitações e destruídos inúmeros terrenos de agricultura de subsistência. Além de elogiar a pronta ajuda à agricultura, José Brito estima que o investimento na reconstrução de casas possa ultrapassar os € 3 milhões, estando já “assegurada a adjudicação das obras para as 21 famílias que perderam a sua habitação permanente”, através de mecanismos de financiamento público e “duas a reconstruir pela Federação Portuguesa de Futebol”.

A reconstrução de perto de 200 casas de segunda habitação, maioritariamente de descentes da terra a residir em Lisboa - mais de 20 mil -, a autarquia, “que tem endividamento zero”, vai apoiar a reconstrução através de uma linha de crédito da CGD, a juros baixos”. José Brito diz que está disposto a endividar a autarquia para ajudar a reerguer segundas habitações, defendendo que o regresso dos filhos da terra durante as férias e fins de semana “é uma importante alavanca para a economia da região”. O apoio à reconstrução passa ainda por financiamento de 40% dos custos a fundo perdido, num tecto total de empréstimo de € 80 mil.

O regulamento final de apoio do município está a ser negociado com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do centro (CCDR-C), aguardando o autarca que a medida avance até outubro. Outra das boas notícias anunciadas pelo Governo foi a redução de IRC para as empresas, que segundo José Brito pode chegar a zero “em função do número de empregos criados”. O programa de candidatura a um investimento de € 1,7 milhões destinado a empresas da região no âmbito do Portugal 2020 é outro sinal encorajador para o dinossauro laranja local.

José Brito adverte o Governo e o país a deixarem de olhar para o interior “como um fardo”, lembrando que boa parte da riqueza do país é criada nos territórios de baixa densidade populacional, “sem recolherem, contudo, a parte correspondente”. A título de exemplo, aponta a EDP, que tem três barragens no concelho “e não deixa quase nada no território”, sublinhando que o mesmo se passa com as empresas da fileira da produção florestal.

Na hora da despedida do Conselho de Ministros, que levou à Pampilhosa da Serra a maioria dos membros do Governo, o autarca agradeceu a António Costa a comitiva ter chegado de véspera, instalando-se numa unidade hoteleira local. “O turismo de natureza é outra vertente fundamental para o desenvolvimento sustentável da região na criação de emprego, indispensável à fixação de jovens”, sublinhou ao Expresso.