Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Migrações. Médicos Sem Fronteiras denunciam bloqueio de migrantes à porta da UE

“Os únicos elementos em que os Estados europeus parecem estar de acordo são, por um lado, o bloqueio das pessoas às portas da Europa, independentemente da sua vulnerabilidade e dos horrores de que fogem, e por outro a diabolização das operações de busca e salvamento”, disse a responsável das operações de emergência da MSF, Karline Kleijer

A organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras criticou esta sexta-feira o acordo europeu sobre migrações e acusou os países da União Europeia de defenderem "o bloqueio das pessoas às portas da Europa" e "a diabolização" do salvamento de náufragos.

"Os únicos elementos em que os Estados europeus parecem estar de acordo são, por um lado, o bloqueio das pessoas às portas da Europa, independentemente da sua vulnerabilidade e dos horrores de que fogem, e por outro a diabolização das operações de busca e salvamento", disse a responsável das operações de emergência da MSF, Karline Kleijer.

"Sem pestanejar, formalizaram [...] a utilização da guarda-costeira líbia para intercetar as pessoas e as reenviarem para a Líbia, sabendo que isso equivale a condená-las à detenção arbitrária e a abusos de todo o tipo", acrescentou.

Tais ações, considerou, impedem a MSF "de fazer o trabalho que os governos da UE recusam assumir desumanizando as pessoas".

"A responsabilidade de cada morte que resultar [destas medidas] será deles", concluiu.

O acordo europeu, alcançado durante a madrugada depois de nove horas de discussões, propõe uma "nova abordagem" com a criação de "plataformas de desembarque" de migrantes fora da UE para dissuadir a travessia do Mediterrâneo.

Para os migrantes resgatados em águas europeias, os líderes europeus propõem a criação de "centro controlados", a estabelecer pelos Estados-membros "numa base voluntária", onde deve ser feita "rapidamente" a separação dos migrantes ilegais dos que estão em condições de obter asilo, expulsando-se os primeiros e recolocando-se os segundos em países europeus também "numa base voluntária".

Os líderes europeus advertem por outro lado as ONG: "Todos os navios a operar no Mediterrâneo devem respeitar as leis aplicáveis e não obstruir as operações das guarda-costeira líbia".

Segundo a MSF, as políticas migratórias dos governos europeus "condenam as pessoas a ficarem fechadas na Líbia ou a afogarem-se no mar".

Só na semana passada, pelo menos 220 pessoas morreram afogadas no Mediterrâneo. Desde janeiro, segundo números da Organização Internacional das Migrações, mais de 800 pessoas morreram ao tentar a travessia.