Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Organização das Migrações: António Vitorino vai a votos esta sexta-feira

António Vitorino, ex-ministro, ex-comissário europeu, desta vez comparece à festa

alberto frias

O advogado, ex-ministro e ex-comissário, é candidato a diretor-geral da Organização Internacional das Migrações (OIM). A votação decorre esta manhã

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O candidato português vai saber esta sexta-feira se vai regressar ou não aos palcos internacionais. Está marcada para as 10h00 (hora de Lisboa) o início da votação para o cargo de diretor geral da Organização Internacional das Migrações (OIM), mas não é líquido que se saiba logo. A eleição exige que serão necessárias tantas voltas quantas as necessárias até que um candidato obtenha dois terços dos votos.

A votação prevê-se renhida e, para já, impossível de prever. Apesar da aparente garantia de um número confortável de votos em favor de António Vitorino, a eleição é feita por escrutínio secreto e, como dizia um velho diplomata habituado a estas lides, "em diplomacia mente-se muito". Trocando por miúdos, o facto de vários países garantirem o voto no candidato português, não quer dizer que isso se verifique na hora final.

António Vitorino enfrenta dois candidatos de peso, o americano Ken Isaacs, um gestor de uma organização cristã evangélica humanitária, de perfil polémico, e a atual diretora-geral adjunta, a costa-riquenha Laura Thompson. Se Vitorino é considerado por muitos como um candidato de "excelência", isso não quer dizer que se traduza em votos.

Os EUA são, senão o principal, o grande financiador da organização, e muitos temem que se o seu candidato perder, Washington se retire da OIM, como já fez com outras organizações internacionais. Por outro lado, todos os diretores gerais da OIM desde a sua fundação, em 1951, foram americanos, com exceção de um, um holandês, na década de sessenta, mesmo assim eleito com os votos americanos.

África decide

Ao Expresso, o ministro dos Negócios Estrangeiros continua a considerara o candidato português "como o melhor", mas não tem dúvidas que a corrida se mantém "difícil". Uma candidatura americana é sempre de respeitar e o "poder de fogo" do Departamento de Estado mantém-se intocado, sobretudo em África, continente onde, com os seus 50 votos, se decide aparentemente a corrida.

Tal como disse ao Expresso a especialista e analista sénior da Open Society Foundation, Guilia Laganà, “a este nível de escolhas nem sempre a competência vence” e há agora “uma oportunidade para mudar”. Na gestão dos equilíbrios internacionais, por outro lado, pode contar em desfavor de Vitorino o facto de o ACNUR (a agência das Nações Unidas para os Refugiados) ser dirigida por um europeu, que sucedeu a António Guterres

Laura Thompson, por outro lado, fez saber que apoia o diretor-geral na administração e gestão da organização, o que lhe pode garantir um voto de desempate - se Isaacs, em virtude de algumas posições polémicas pode perder, ela pode acabar por reunir os viotos de quem tem receio que os EUA se descomprometam. Será a voz da continuidade.

Para já, a audição que os candidatos prestaram a 17 de maio perante a Assembleia Geral da OIM, no mesmo processo que foi adotado para a eleição do secretário-geral da ONU, correu bem a António Vitorino — cuja candidatura foi aceite à partida com alguma desconfiança nas Necessidades. Na “casa da diplomacia”, houve quem temesse as repercussões a prazo do “excesso” de candidaturas portuguesas, o que pode ser visto como uma sobrerrepresentação do país.

A OIM tem cerca de 8500 funcionários, 440 gabinetes no terreno e um orçamento anual que varia entre 1,2 mil milhões e 1,4 mil milhões dólares. A organização foi integrada na estrutura multilateral da ONU a 25 de julho de 2016. Antes, a organização tinha recebido, em 1992, o estatuto de observador permanente na Assembleia-Geral da ONU e firmado um acordo de cooperação (1996).

Além dos 169 Estados-membros, conta com oito países com estatuto de observadores.