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70 buscas da Polícia Judiciária a partidos, autarquias e escritórios de advogados

Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido. Sede do PSD, Distrital de Lisboa social-democrata, Concelhia do PS e Câmara de Lisboa entre os locais da operação policial, que também passa pelos Açores

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Polícia Judiciária e o DIAP de Lisboa realizam 70 buscas em todo o país, entre elas na Sede Nacional do PSD, Comissão Distrital de Lisboa social-democrata e na Concelhia de Lisboa do PS. A operação decorre também nos serviços centrais e de Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa, assim como nas juntas de freguesia do Areeiro, Santo António e Estrela.

De acordo com uma nota da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, estão em causa suspeitas de crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido. "Um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político, desenvolveram entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas", diz o MP.

As buscas foram realizadas em escritórios de advogados, autarquias, sociedades e instalações partidárias. Não só em Portugal Continental como também nos Açores. Em campo estão 200 inspetores da PJ (entre eles peritos informáticos e financeiros) bem como três juízes de instrução e doze magistrados do Ministério Público.

A distrital do PSD já confirmou as buscas ao Expresso. Pelo contrário, na concelhia do PS a resposta foi lacónica: "Não podemos confirmar nada." Já a junta de freguesia do Areeiro revela sem problemas a existência da operação policial. "Já foi notícia e tudo", resume uma funcionária.

O gabinete de comunicação da Câmara de Lisboa promete uma reação "para mais tarde".

A operação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ e DIAP é motivada por suspeitas de crimes financeiros que resultaram da contratação de pessoal e ainda da adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ou geridas por políticos.

De acordo com a "Sábado", que avançou com a notícia, um dos principais visados na operação é o social-democrata Carlos Eduardo Reis, conselheiro nacional do PSD e que controla várias empresas que ganharam adjudicações directas de autarquias controladas pelo PSD e também pelo PS.

Um artigo do "Observador", de julho de 2017, revelava uma ligação entre três juntas de freguesia lisboetas lideradas pelo PSD e empresas de militantes sociais-democratas envolvendo negócios cujos valores totalizariam mais de um milhão de euros.

As autoridades terão recebido uma denúncia sobre estes negócios em 2017.

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