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Manuela Ferreira Leite. O Governo “não anda a fazer nada, só a resolver conflitos”

No habitual espaço de comentário na TVI 24, Manuela Ferreira Leite fez um exercício: imaginar que tinha estado fora de Portugal durante umas semanas e que regressava agora. Que país era este que encontrava?

Para Manuela Ferreira Leite, o Governo “não anda a fazer nada, está só a resolver conflitos”. Esta é a visão que a comentadora tem hoje do país e explicou-a no habitual espaço de comentário na TVI 24, em que foi desafiada a imaginar que tinha acabado de regressar a Portugal depois de ter estado fora durante umas semanas.

“A situação em que hoje se encontra o país é melhor do que a situação em que estava quando o atual Governo tomou posse. Para mim, isso é um ponto adquirido. O país está melhor mas isso não chega, é preciso continuar a tomar medidas para crescer”, disse a ex-ministra das Finanças. Ferreira Leite sublinhou, também, a importância das empresas para o desenvolvimento económico, referindo que tomar medidas nesta área “não poderia ser iniciativa de um Governo com apoio da esquerda”, em que a palavra empresas “é quase proibida”.

A ex-líder do PSD enumerou como áreas chave para a atuação do Governo a Educação, a Saúde e a Segurança Social. Em todas estas, defendeu, “não vejo quase nada e, pior, é que quando se vê, são coisas que não conduzem a um ataque sério” aos problemas.

No caso da Saúde, disse não conseguir entender como é que surgem duas propostas para a lei de bases, uma vez que é algo em que é preciso um consenso. “Como é que só quando se chega ao momento de discutir é que se percebe que afinal não é uma proposta, mas duas?”, questionou. “É uma coisa que me dá pena, porque são dois grupos [de trabalho] com pessoas muito competentes. Porque não se juntam?” Ferreira Leite considerou que a situação passa a ideia de que “há uma certa pressão política” e uma necessidade de mostrar “que um apresentou o projeto antes do outro”.

“Penso que a proposta do Bloco de Esquerda fica marcada por apagar totalmente o sector privado. Enquanto a do PS, admito, aceita e defende que não se corte nas parcerias público-privadas e na intervenção do sector privado na saúde. E isto são aspetos completamente antagónicos”, considerou.

Sobre a reposição das 35 horas de trabalho semanal no Serviço Nacional de Saúde, a ex-ministra lembrou que já existe falta de pessoal nos hospitais e com a redução do horário de trabalho isso ainda vai ser mais acentuado. “A carência de recursos humanos é evidente e ficou agravada com a redução do número de horas e por não ter entrado ninguém.” Para Manuela Ferreira Leite, estas são decisões tomadas com uma “base eleitoralista” e que transmitem “alguma insegurança”.

No mínimo, há alguma irresponsabilidade”, disse em relação às decisões tomadas pelo ministro Adalberto Campos Ferreira e pelo Executivo. “Estamos a ver que estão a surgir conflitos que correspondem a coisas que são prometidas mas que não podem ser cumpridas.”

“Sindicatos sabem que estão a pedir algo inexequível”

No tema dos conflitos atuais, Manuela Ferreira Leite seguiu para um dos que aparenta ser dos mais difíceis de resolver, aquele que opõe os professores ao Governo.

“Os sindicatos sabem que estão a pedir algo inexequível, sabem-no desde a primeira vez que abriram a boca sobre o assunto. Tal como o Governo sabe, desde os primeiros minutos, que não há dinheiro”, disse, acrescentando que o Executivo pecou por o ter admitido tão tarde. “A única pessoa clara foi o primeiro-ministro quando há uns dias disse que não havia dinheiro”.

Em causa está a contagem do tempo de serviço prestado pelos professores durante os anos de congelamento das carreiras. “Mesmo que houvesse dinheiro para os professores, o Governo tinha um problema de arrastamento a outro sectores que não podia deixar de ser considerado. Era uma bola de neve impossível de parar.”

Para Ferreira Leite há a ideia generalizada de que “estamos num caminho fantástico”, que se “acabaram os problemas”. Mas a realidade é a de que “o país não deixou de ficar pobre por ter melhorado.”

“Estamos melhor, estávamos muito mal mas nada é garantido e não se pode fazer promessas que não possam ser executadas”, disse. O que nos leva, uma vez mais, à visão inicialmente apresentada e em resposta ao desafio que foi proposto a Ferreira Leite: “não se anda a fazer nada, só a resolver conflitos”.