Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Deputado do PS Ascenso Simões acusa PCP e BE de "traição"

Ascenso Simões considera que a abstenção do PCP e do BE na votação do projeto sobre o fim da sobretaxa do imposto sobre os combustíveis é uma traição aos acordos bilaterais com o PS e evoca os tempos do PEC IV.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O deputado socialista considera que a votação de hoje relativa à redução dos impostos sobre os combustíveis "demonstra uma traição, por parte do BE e do PCP, aos acordos bilaterais que levaram à constituição do Governo, à aprovação de três Orçamentos do Estado e, ainda, a uma outra etapa de cumprimento do regime saído do 25 de Abril com a participação dos partidos à esquerda da esquerda na definição estratégica da governação".

As considerações de Ascenso Simões foram feitas numa declaração de voto contra (como da generalidade da bancada do PS), onde assinala, além do mais que os "votos cruzados do PSD e CDS de um lado, e do PCP e BE, do outro, transportaram o parlamento para o simbolismo do PEC IV" e à chegada da troika.

"A fotografia é muito má de ver", sublinha, para esclarecer que "o dia de hoje foi um mau dia para os portugueses, porque ficaram a conhecer que a esquerda da esquerda não quer saber de boas contas. O que quer saber é de votos fáceis e, depois, logo se vê quem paga a desgraça de uma nova crise".

Populismo e "guerra fraticida"

Para o deputado, "não é aceitável um acordo das direitas com as esquerdas da esquerda que ponha em causa a governação a prazo", pois não só vê como ilegal a tentativa de impor limitações ao Governo na arrecadação de impostos, como representa "a violação do princípio assumido no início da legislatura da sustentação das finanças públicas".

"O mais lamentável desta votação é que ela assume a dupla vertente populista e demagógica dos partidos mais à esquerda", afirmou, apontando o facto de, por um lado, exigirem ao Governo mais 600 milhões de euros só para a recomposição das carreiras dos professores e, por outro, assumirem "a existência de um saco sem fundo de natureza orçamental que logo abdica de impostos relevantes como os que advêm dos combustíveis".

"Não é possível, como qualquer cidadão compreende, esta quadratura do círculo", destacou.

O deputado ainda refere a vontade do Bloco de Esquerda de ser uma força de governo em 2019 e que expressa nas teses ao seu congresso, em novembro (e que à partida veria com bons olhos), para acusar este partido de "assumir o populismo da descida dos impostos e ao não negar a guerra fratricida que mantém com o PCP para saber quem é mais barulhento na contestação, abdica de qualquer credibilidade essencial à governação futura".

"Espero que o PCP e o BE olhem bem para o dia de hoje, espero que tenham consciência de que não foi o PS a por em crise a palavra e a honradez dos acordos de 2015, que fizeram regressar rendimentos e a estabilidade às empresas e às famílias", diz ainda, reclamando a estes partidos que clarifiquem a sua posição.

Projeto não implica entrada em vigor

O diploma do CDS teve os votos favoráveis do CDS-PP, PSD e PAN, o voto contra do PS e a abstenção do PCP, BE e PEV. A votação não implica a entrada em vigor da lei. Depois da votação na generalidade, segue-se o trabalho na especialidade.