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Rui Nunes denuncia "clima de medo" na corrida eleitoral à Distrital do PSD Porto

O primeiro candidato a anunciar a candidatura à liderança da maior distrital laranja do país revela estar a receber apoio de vários militantes "quase em surdina", acanhamento que atribuí à forma "caciqueira" como o partido tem sido conduzido junto das estruturas de base. Rui Nunes anuncia o seu programa e lista às eleições de 30 de junho no início da próxima semana

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Rui Nunes lamenta a existência de “um clima de medo ” junto dos militantes na reta final da corrida às eleições da Distrital do PSD Porto, marcadas para o próximo dia 30 de junho. No terreno desde março, o professor catedrático da Faculdade de Medicina do Porto vai a votos tendo por concorrentes ao lugar Alberto Santos, ex-autarca da Câmara de Penafiel e presidente do Conselho de Jurisdição Distrital do PSD, e Alberto Machado, líder da Concelhia laranja do Porto, candidatos que Rui Nunes titula de “protagonistas centrais da derrota mais humilhante da história autárquica do Porto, distrito e cidade”, em outubro.

O único dos três candidatos que ainda não apresentou a sua lista ao ato eleitoral, visto como o candidato-outsider por nunca ter sido próximo do aparelho do partido, afirma estar convicto que a sua “candidatura de rutura descolou definitivamente e derrotar uma década de maus resultados na Distrital do PSD/Porto”. Em comunicado divulgado esta quarta-feira, Rui Nunes denuncia um “clima de medo” junto de alguns militantes, que lhe vêm declarar apoio “quase em surdina, o que diz muito da forma como tem vindo a ser conduzido o partido junto das estruturas de base, onde não existe participação democrática, mas uma forma caciqueira de actuar que vai necessariamente acabar se for, como espero, o escolhido pelos militantes”.

O fundador da plataforma 'Fórum Democracia e Sociedade - Uma Agenda para Portugal', espaço de reflexão política sobre a sociedade contemporânea criado em 2012, avança que “fonte muito próxima de Rui Rio contactou elementos da sua candidatura para reafirmar a equidistância do líder do PSD na campanha, apesar das notícias que vão dando conta de que estaria inclinado a dar apoio, ainda que não formal, a uma das candidaturas”.

Rui Nunes, desde que anunciou a sua candidatura, sempre afirmou estar convencido o presidente do partido não iria interferir no processo eleitoral, “nem declarar apoio a nenhum dos candidatos”. O desejo do candidato é que os militantes “decidam livremente e escolham se querem romper com o passado, tal como Rui Rio está a fazer a nível nacional, ou se querem continuar no caminho que levou o PSD até uma posição de insignificância no que respeita à liderança de projectos autárquicos no Distrito do Porto”.

O presidente do Conselho Consultivo da Entidade Reguladora da Saúde optou por só apresentar o seu programa completo e lista no início da próxima semana, após ter reunido nos últimos três meses com as estruturas de todas as concelhias do partido no distrito, afirmando sentir “que os militantes querem uma ruptura definitiva com o que tem sido a última década do partido no Porto”.

Rui Nunes, que adotou “rutura” por palavra de ordem, garante que a sua candidatura tem vindo a granjear “cada vez mais apoiantes, recetivos ao projecto de uma mudança profunda“. Ao Expresso, o candidato sublinhou que as eleições em curso na Distrital têm de ser encaradas como “o início de um novo ciclo político também a nível local e não uma mera dança de cadeiras, disputa de lugares ou esquemas de salvaguarda de posições”.