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Política

PSD defende política de finanças que atraia investidores

Rui Rio considera que o anúncio do BCE é “mais um alerta para o governo controlar as finanças públicas”

O presidente do PSD considerou nesta sexta-feira que o anúncio pelo Banco Central Europeu do fim da compra da dívida pública deve conduzir o governo a uma política de finanças que dê confiança aos investidores. "Esse momento [o fim da compra da dívida pública pelo BCE], que não vai ser já e que será feito de uma forma faseada, é algo que um dia sabíamos que ia acontecer", afirmou Rui Rio, antecipando "um aumento das taxas de juro".

Por isso, é importante que a política de finanças públicas em Portugal "leve à confiança dos investidores, porque é essa confiança que vai determinar a taxa de juro", acrescentou o líder social-democrata, que falava no final de uma reunião com o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza, padre Jardim Moreira, no Porto.

Defendendo que Portugal, neste momento, não está ao nível que deveria estar, mas que "também não está tão mal como há três anos", porque conseguiu baixar o défice, Rui Rio considerou que o anúncio do BCE é "mais um alerta para o governo controlar as finanças públicas".

Se assim não for, sublinhou, o país "fica numa situação muito complicada dado continuar como uma dívida pública muito elevada", porque "qualquer variação na taxa de juro incide diretamente sobre um montante muito grande da dívida".
Questionado sobre a proposta do BE de acabar com os 'vistos gold', Rui Rio considerou tratar-se de "uma medida demasiado radical", preferindo "olhar para as regras e adaptá-las à nova realidade", como um exercício que "poderá ser equilibrado em termos do interesse nacional". "O investimento estrangeiro é a pedra de toque para o crescimento económico de Portugal, seguido das exportações", frisou.

Sobre a 'guerra' entre os sindicatos dos professores e o Ministério da Educação sobre o descongelamento de carreiras, o líder do PSD reiterou que é "uma luta complicada para o governo", lembrando que "quem semeia ventos colhe tempestades".

"O governo prometeu uma coisa aos professores que agora não quer cumprir porque diz que não pode cumprir. Mas, se não pode, e eu acredito que não pode, prometeu mal. Agora, ou dá ou tem de ter a penalização política por andar a assumir compromissos que não pode assumir", sublinhou o social-democrata.

Rui Rio falou ainda sobre a preparação para os incêndios, depois das tragédias vividas em 2017, considerando que "o país está melhor preparado que há um ano". Contudo, admitiu, "nem foi feito tudo o que se podia", nem está "tudo muito bem organizado". "Estamos um pouco entregues à sorte. Se o verão não for muito rigoroso irão haver incêndios, mas serão sem grande dimensão, mas se tivermos azar não estaremos preparados para os evitar", alertou.