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Cristas vai apresentar benefícios “em todos os impostos” para o interior

A líder do CDS fez 14 viagens às zonas atingidas pelos fogos no último ano

Nuno Andre Ferreira

Um ano depois de Pedrógão, os centristas querem liderar a agenda sobre os incêndios. Além de prometer propostas para beneficiar o interior e combater a desertificação, o CDS quer saber se o país está preparado para enfrentar nova época de incêndios e dirige 31 perguntas ao Governo, primeiro-ministro incluído

Durante o ano que passou desde os fogos de Pedrógão (o primeiro aniversário da tragédia é este domingo, 17), Assunção Cristas visitou14 vezes as zonas ardidas. Para a presidente do CDS, essas viagens mostraram que ainda há muito a fazer em matéria de coesão do território, pelo que revela que o partido vai avançar até ao verão com propostas para beneficiar quem viver e tiver negócios no interior.

Ao Expresso, Cristas explica que, antes de o Parlamento entrar de férias, no final de julho, o CDS irá apresentar mais “propostas de fiscalidade para o interior”: o objetivo é, “em todos os impostos, encontrar um benefício [para quem estiver no interior do país], cruzando a ideias no partido com as apresentadas pelo Movimento para o Interior”, afirma.

“No Orçamento do Estado para 2018, apresentámos um imposto geral para o país e outro exclusivo para o interior, que foi rejeitado. Andámos a trabalhar para voltar ao tema”, recorda Cristas. A líder centrista espera que os outros partidos sigam o mote dado pelo CDS e “acompanhem” as propostas, num momento em que António Costa anunciou uma redução do IRC para empresas no interior no Congresso do PS. Cristas recorda que já tinha apresentado a proposta para o estatuto fiscal do interior que acabou chumbada também pelo PS.

Um ano depois de Pedrógão, o objetivo passa por “dar condições às pessoas que residem nos territórios e dar um enquadramento favorável para ficarem, assim como trazer outros”. Ou seja, o CDS tem agora duas novas linhas de trabalho naquelas zonas: a aposta na fiscalidade e na atração de novos investimentos.

Cristas promete “pressão muito grande” no fogos

Apesar de olhar para o futuro, a presidente centrista diz que nas suas visitas aos territórios ardidos verificou persistirem muitas perguntas sobre o que aconteceu e sobre como se vai evitar que volte a acontecer: “Vou ao terreno e ninguém sabe de nada”. Por isso, esta quinta-feira, para mostrar que continua atenta e não deixará cair o tema – que já levou o CDS a apresentar uma moção de censura ao Governo – Cristas apresentou aos jornalistas na sede do CDS as 31 perguntas que o partido quer agora dirigir ao Executivo.

As questões atravessam sete ministérios e chegam mesmo ao primeiro-ministro. Numa conferência de imprensa, Cristas começou por sublinhar a importância das telecomunicações: na lista de perguntas formais que serão esta quinta-feira entregues no Parlamento, o CDS questiona o Governo sobre quantos portugueses continuam sem acesso a telecomunicações nas zonas ardidas ou as razões para a lista de espera, apresentada em relatório pela ANACOM, se manter.

O partido quer também saber quantas casas, tanto de primeira como de segunda habitação, já foram entregues aos proprietários depois de recuperadas. Outra preocupação é a limpeza dos terrenos: em concreto, saber se as áreas mais perigosas já foram limpas e se está a haver uma monitorização do seu estado. Para Costa, há pedidos de esclarecimento sobre o ponto de situação do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais ou do plano formativo de todas as entidades que integram essa estrutura.

A presidente do CDS arrancou a conferência de imprensa, na sede do partido, com uma nota mais emotiva. “Há um ano o terror abateu-se sobre o nosso país. Visitei a cada dois meses as zonas ardidas, como prometido”, recordou. “Logo a seguir, quando tudo era preto; dois meses depois, quando feridos recuperavam e empresas desesperavam; quatro meses depois, quando as conclusões técnicas mostravam falhas do Estado e os fogos se repetiram, e assim sucessivamente”.

Para Cristas, foi esta presença constante nas áreas afetadas que permitiu levar “para Lisboa relatos transmitidos olhos nos olhos e propostas que permitiram resolver muitos assuntos”. Deu como exemplo a proposta para indemnizar igualmente as vítimas dos incêndios de junho e outubro.

“Doze meses volvidos, e tendo em conta que se aproxima a época crítica dos fogos, exige-se ao Governo a resposta a muitas perguntas”, explicou Cristas, lembrando que em na floresta e na coesão territorial ainda há “pouco trabalho feito”. “Ninguém nos garante que por incapacidade ou inação do Governo não vejamos repetidas as falhas”. Mesmo que acredite o país está hoje mais preparado para responder a acontecimentos como os do ano passado: “Nem me passa pela cabeça que esteja pior do que estava há um ano”.

O papel da oposição, acredita Cristas, é “fazer uma pressão muito grande” e “ir ao terreno, porque a capacidade de influência é muito maior”. Por isso, diz esperar também que o Governo não demore todo o tempo regulamentar – 30 dias – para responder a estas questões. “O Governo, se estiver a trabalhar bem, tem a resposta a todas estas perguntas na ponta da língua”.