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Uma proposta para ler “com a mente aberta”: sociais-democratas defendem legalização da canábis para fins recreativos

TIAGO MIRANDA

André Brandão de Almeida e Ricardo Batista Leite querem canábis vendida em “farmácias comunitárias” e com recurso a uma “base de dados centralizada”. Rio disse em campanha que é favor do seu uso para fins medicinais

Pediram “mente aberta”, resta saber se os sociais-democratas estarão dispostos a isso. Como tinham prometido, André Brandão de Almeida e Ricardo Batista Leite, médicos de profissão, trouxeram este sábado ao Congresso do PSD uma proposta para legalizar a canábis e não só para fins médicos.

Ao longo de 15 páginas de argumentos médicos e científicos – incluindo uma extensa bibliografia – os sociais-democratas argumentam a favor da legalização da canábis “para fins recreativos pessoais” quando o consumidor tiver pelo menos 21 anos.

Uma posição que não condiz com a da bancada parlamentar do PSD: quando foi hora de votar as propostas do BE e PAN que propunham a legalização para fins médicos, Hugo Soares, o líder parlamentar cessante, acusou as propostas de esconderem uma “agenda” – precisamente a da legalização para fins recreativos – e anunciou que o PSD prepararia a sua própria proposta. A posição do novo líder do partido também é conhecida: “Para fins medicinais, com o suporte da Ordem dos Médicos, utilizado só com receita médica, não vejo porque não”, disse Rio, já na reta final da campanha.

Tanto Brandão de Almeida como Batista Leite acreditam, no entanto, nos benefícios da legalização: fazê-lo, colocando o preço da canábis, que seria vendida exclusivamente em farmácias comunitárias, igual ao que se pratica hoje no mercado negro, é a solução preferida.

Na moção que será votada este sábado, defendem também que isto reduzirá a oferta e o consumo de drogas, com uma compra feita através de uma “base de dados centralizada” que permita uma “vigilância analítica dos padrões de consumo”, assim como uma “cadeia de cultivo e uma distribuição regulamentada’ que só permita vender a cada consumidor “uma quantidade limitada a utilização pessoal e diária”.