Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Santana Lopes voltou para “unir o partido” depois da “salvação nacional” de Passos Coelho

Pedro Santana Lopes apresenta a candidatura à liderança do PSD em Santarém

Luís Barra

Pedro Santana Lopes deu o tiro de partida, mostrando orgulho no trabalho de “salvação nacional” de Passos Coelho, líder que diz ter sempre defendido enquanto outros andavam a dizer mal do partido de braço dado com os adversários políticos, ou a virar-lhe a cara

"Em 2005 (quando deixou de ser primeiro-ministro) disse que ia andar por aí, nunca pensei que essa frase fosse tão citada, e tivesse tanto impacto", "hoje estou aqui, vim para clarificar, porque o PSD precisa disso e Portugal também precisa disso". Quero unir o partido, mas quero depois de clarificar", afirmou Pedro Santana Lopes, em Santarém, no lançamento da campanha como candidato à presidência do país. Um discurso de cerca de 50 minutos onde criticou, sem citar o adversário da corrida, Rui Rio, e apontou o dedo à "geringonça", designação que diz não gostar.

"Somos um partido decente. Um partido que honra a sua história", e os sociais-democratas devem orgulha-se "do trabalho de salvação nacional feito por Pedro Passos Coelho, e o seu governo", atirou o candidato a líder do PSD, um candidato que já foi secretário de Estado da Cultura, primeiro-ministro e presidente da Câmara da Figueira da Foz e Lisboa. Um discurso feito numa sessão com centenas de apoiantes em Santarém, onde se destaca na primeira fila Rui Machete, presidente da Comissão de Honra da candidatura. E durante o qual, Santana proferiu várias vezes a designação PPD e PPD-PSD, e citou Francisco Sá Carneiro.

Ao lado dos adversários

"Defendi sempre ao longo destes anos o trabalho de Passos Coelho, nunca fui para a aula magna fazer sessões com o Bloco de Esquerda e Mário Soares. Nunca fui para a Associação 25 de Abril, sentar-me ao lado de Vasco Lourenço, enquanto Pedro Passos Coelho Salvava o país", prosseguiu numa alusão indireta ao posicionamento de Pacheco Pereira (que nunca nomeou) durante o período da troika.

Santana Lopes prosseguiu: "nunca fui nessa altura para essas instituições dizer que, e passo a citar, a democracia está mais difícil, estamos a caminho de uma ditadura corporativa, fazendo coro os adversários". Aqui o alvo foi Rui Rio, que fez a afirmação num debate em que defendia a reforma do sistema político. As críticas indiretas ao ex-presidente da Câmara do Porto não ficaram por aqui: "Nunca andei a criar movimentos para derrotar, os candidatos do meu partido". Rio apoiou Rui Moreira na primeira candidatura.

Pedro Santana Lopes foi explicando o que é para si a ideia de clarificação. "Queremos um partido sem memória?", questionou o ex-provedor de Santa Casa da Misericórdia, numa alusão aos sociais-democratas que se demarcaram do anterior executivo.

"Nós somos um partido que vai do centro-direita até ao centro-esquerda. Francisco Sá Carneiro e Cavaco Silva nunca andaram entretidos com dissertações sobre essa matéria e levaram-nos a vitórias muito importantes. Eu quero fazer o mesmo, não tenho complexos nessas matérias", clarificou.

Não lhes chamem geringonça, eles gostam

"Eu não gosto que lhes chamem geringonça, até porque não sei se já repararam: Eles adotaram o termo, acham que envolve algum carinho, acham que tem um pouco de componente de afetos. Para mim eles são uma frente de esquerda, com comunistas e extrema-esquerda, das quais o PS se aproveita para governar com um programa que não é o seu", sustentou Pedro Santana Lopes. "É curioso, porque acham que não merecem mais, mas também entendem que isso dá para disfarçar a realidade política".

Santana Lopes deixou no ar a ideia de que este Governo poderá não cumprir a legislatura até ao fim, por falta de coesão interna na sua base de apoio parlamentar. "Entendo que é manifesto que a frente de esquerda que sustenta o Governo está com dificuldades que não tinha há uns tempos. Fechou um acordo em torno do Orçamento do Estado para 2018, mas é manifesto aquilo que se passa ao nível da contestação social. Há discordâncias e manifestações de rutura, quer da parte do Bloco de Esquerda, quer da parte do PCP".