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Valente de Oliveira abandona PSD

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Mandatário de Rui Moreira já aceitou o convite e desfilia-se para se esquivar a eventual expulsão

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Luís Valente de Oliveira enviou, esta semana, uma carta ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, a pedir a sua desvinculação de militante do seu partido de sempre. Na origem da decisão está o convite de Rui Moreira ao histórico social-democrata para ser mandatário da recandidatura independente “Porto, o Nosso Partido”. O presidente da Câmara do Porto confirmou ao Expresso que, tal como nas autárquicas de 2013, o seu mandatário será Valente de Oliveira, que já confirmou o convite e “autorizou que o mesmo fosse divulgado”, tendo ainda revelado que se desfiliaria do PSD para evitar embaraços políticos e eventuais processos disciplinares. Embora ainda não haja data do anúncio formal da candidatura, Rui Moreira fez questão de manter para as eleições de 1 de outubro o seu primeiro mandatário. 
Ao contrário do que sucedeu nas últimas autárquicas, em que manteve o cartão apesar do apoio a Moreira em detrimento do candidato do partido, Luís Filipe Menezes, Valente de Oliveira optou agora por abandonar o partido, esquivando-se a ser repetente num quadro de possíveis ameaças de represálias disciplinares.

Fugir a sanções

Cinco vezes ministro, o presidente do Conselho de Fundadores da Casa da Música, que completa 80 anos em agosto, foi um dos militantes alvo de suspensão administrativa, em 2013, por parte do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD. O mandatário de Moreira, Miguel Veiga e Arlindo Cunha, também apoiantes do movimento independente, acabaram por ser poupados à expulsão, dado os seus nomes não constarem das certidões remetidas para o partido. Além de se furtar a uma sanção, o antigo ministro de Cavaco Silva, ‘dono’ pasta do Planeamento e da Administração do Território durante uma década, “deixou ainda de se rever na atual liderança do partido”, referiu ao Expresso fonte próxima do PSD. Um dos sinais de afastamento partidário foi a sua ausência na apresentação do candidato laranja à Câmara do Porto, o independente Álvaro Almeida, em abril, altura em que já se comentava que iria de novo desrespeitar a escolha do partido. O Expresso tentou em vão contactar Valente de Oliveira, ausente do país.

Texto publicado na edição do Expresso de 24/06/2017