Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

A corrida pelo Funchal já começou e candidatos fazem marcação cerrada

Paulo Cafôfo apresentou a recandidatura ao Funchal de cravo vermelho na lapela e garantiu que vai reabilitar a capital madeirense do mar à serra; Rubina Leal vestiu-se de cor de laranja e prometeu, ao som dos acordes do hino do PSD, que vai tirar a cidade do marasmo. O combate pela Câmara do Funchal entrou numa nova fase onde os principais protagonistas são o atual presidente da autarquia, candidato independente à frente de uma coligação de cinco partidos, e a secretária regional da Inclusão, a escolhida dos sociais-democratas. A marcação entre candidatos é tanta e passa até pelas escolhas de artistas

Marta Caires

Jornalista

A apresentação da coligação 'Confiança' era para acontecer a meio da Praça do Município, uma das principais praças do Funchal, mas a chuva trocou as voltas e Paulo Cafôfo, o atual presidente da Câmara, optou pela reitoria da Universidade da Madeira, onde 400 apoiantes ouviram-no dizer que vai reabilitar a cidade do mar à serra. De cravo vermelho na lapela por ser o dia 25 de Abril, subiu ao palco depois de uma voz off o anunciar como o homem que mudou o Funchal ao ganhar as eleições autárquicas em 2013.

Paulo Cafôfo explicou que essa mudança aconteceu quando se reduziu o IMI à taxa mínima, diminuiu a dívida do município e devolveu o IRS às famílias. E agora que isto está feito, a promessa é que se irá reabilitar toda a cidade através de recuperação dos prédios antigos da baixa, dos bairros municipais de habitação social e uma intervenção nas zonas altas, a periferia do Funchal. Promessas que, fez questão de sublinhar, são mesmo para cumprir. E, depois do discurso, Cafôfo chamou os líderes dos cinco partidos que apoiam a coligação: PS, BE, JPP, Nós Cidadãos e PDR.

A luta pela Câmara do Funchal promete ser dura e a marcação entre os principais adversários já começou. É que do lado do PSD, Rubina Leal, a secretária regional da Inclusão, a mobilização do partido vai já com uma semana depois do jantar comício onde se apresentou oficialmente aos apoiantes. A candidata vestiu-se de cor de laranja e falou ao som do hino do partido, com muitas bandeiras numa sala onde estiveram perto de sete mil pessoas.

No discurso, Rubina Leal não se demorou muito, mas fez questão de dizer que se sente orgulhosa por ter sido a escolha do PSD do Funchal e, com ela na presidência da câmara, os funchalenses podem estar descansados. Ou seja, não tem outra ambição além do Funchal, não tem interesses escondidos, não vai usar a autarquia como “trampolim” e certamente “não quer servir-se da cidade” como outros candidatos. “Leal ao Funchal”, o slogan da campanha, é mote de uma campanha que pretende tirar a cidade do “marasmo”.

A disputa, que se faz em discursos e contactos com os moradores dos bairros sociais, comerciantes, não se esgota nos momentos em que ambos se apresentam como candidatos. Paulo Cafôfo, como presidente da Câmara, pagou 50 mil euros para ter Ana Moura no concerto comemorativo do 25 de Abril na Praça do Município. A praça encheu e quem lá esteve ainda assistiu a um vídeo promocional do Funchal, mas já se sabe que Rubina Leal, enquanto secretária regional da Inclusão, tem já pronta a resposta. As celebrações oficiais do 1º de Maio são responsabilidade de quem tem a tutela do trabalho, no caso Rubina Leal. E Rubina Leal contratou Luís Represas para um concerto no 1º de Maio.

A corrida ao Funchal tem estes dois protagonistas, mas há mais candidatos à câmara. Rui Barreto é o homem do CDS, mas não se sabe ainda quem será o cabeça de lista da candidatura do PCP, nem se Gil Canha, que foi vereador de Paulo Cafôfo e deixou a autarquia em 2013, se candidata como prometeu, nem qual será o partido pelo qual se apresentará. Tanto o PCP, como o CDS têm vereadores eleitos e poderão ser decisivos num combate que se adivinha duro.