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Palavra de Autor #13 Afonso Cruz: “A felicidade exige desassossego”

A ideia com que Tolstoi inicia “Anna Karenina” (de que todas as famílias felizes se parecem e as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira) tem sido um dos grandes motores da literatura que lhe sucedeu. Afonso Cruz pega nela, disseca-a, multiplica-a e questiona: O que é uma família feliz? No seu último livro, vai da Mealhada à Cochinchina, do desejo de perfeição às muitas variáveis da imperfeição, tentando acercar-se da felicidade “como textura”, para concluir que é possível ser feliz até quando se sofre. Em Palavra de Autor, Afonso Cruz conversa com Cristina Margato e lê passagens de “Princípio de Karenina”

“Princípio de Karenina” (Companhia das Letras, 2018) é uma carta escrita por amor. A história de um homem que quer chegar ao coração da filha. Um homem que vive sem querer viver, e que na presença da morte encontra sentido para o caminho percorrido. Um livro que vai de Portugal à Cochinchina, do Ocidente ao Oriente, da vida estagnada à vida que desafia: “As pessoas felizes não são as que vivem a abanar a cauda. As pessoas felizes choram e temem e caem e magoam-se e gritam e esfolam os joelhos, porque a sua felicidade independe da roda da fortuna, do acaso, das circunstancias”, escreve neste livro.

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A felicidade, esse fugidio ou indecifrável estado para um homem, é neste romance, uma certeza para uma mulher. “Eu seria muito infeliz num mundo feliz. Ela seria feliz em qualquer mundo.”

Em Palavra de Autor, Afonso Cruz fala também da escrita como necessidade e pulsão, do facto de se ter sentido feliz no ano em que a mãe morreu, apesar do sofrimento que a sua morte lhe causou, de como mais vale actuarmos como pessoas felizes do que acreditar que somos felizes, como alguns livros de auto-ajuda prescrevem: “É a acção que determina a emoção, e não a emoção que determina a acção.”

Afonso Cruz publicou o primeiro romance há dez anos. Chamou-lhe “A Carne de Deus - Aventuras de Conrado Fortes e Lola Benites”. Logo no ano seguinte lançou “Enciclopédia da Estória Universal”, livro que lhe valeu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco. Desde então tem publicado regularmente (trinta títulos) apesar de dividir a escrita com a música, a ilustração, a realização de cinema de animação e muitas outras coisas.

Nasceu na Figueira da Foz em 1971, vive no Alentejo e é um viajante.