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Palavra de Autor 9# Djaimilia Pereira de Almeida: “Na desgraça as pessoas são todas iguais”

“Luanda, Lisboa, Paraíso” pode parecer um romance sobre a imigração angolana para Portugal, e até é, mas a sua essência é outra. Reside na doença como agente transformador, na relação que se estabelece entre cuidadores e doentes. Quem cuida nem sempre manda. O doente é quem muitas vezes dita a regra. “Na relação entre doente e cuidador a distribuição do poder é ambivalente”, diz Djaimilia Pereira de Almeida. No nono episódio de Palavra de Autor, a escritora conversa com Cristina Margato e lê passagens deste seu segundo romance

“Luanda, Lisboa, Paraíso” (Companhia das Letras, 2018) é o segundo romance de Djamilia Pereira de Almeida, escritora nascida em Luanda, a viver em Portugal desde os três anos de idade. A história é sobre dois angolanos a viver nas margens da Lisboa, as pessoas que com eles se encontram em Portugal e as que ficam para trás em Angola. Ou ainda sobre a doença “como grande agente de mudança e de alterações profundas”.

O livro começa por um calcanhar (de Aquiles) e por essa imigração forçada. Aquiles, um rapaz, é obrigado a vir de Luanda para Lisboa, para fazer uma cirurgia ao calcanhar. Com ele vem o pai, Cartola de Sousa, e para trás fica uma mãe acamada, Glória, uma irmã mais velha Justina, e a filhinha desta.

Em Lisboa outras personagens ganham forma, o taberneiro Pepe, o cão Tristão. Mas o poder está quase sempre nas mãos de Glória, a mulher acamada que à distância irradia o seu poder, mostrando que na doença quem manda nem sempre é aquele que cuida, mas aquele que é cuidado.

Djaimilia Pereira de Almeida estreou-se em com o romance “Esse Cabelo” (2015), e em 2017 publicou “Ajudar a Cair” (Fundação Francisco Manuel dos Santos)

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