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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Miguel Gonçalves Mendes: “O mundo é um desastre. Trump, Bolsonaro. Se queremos amar e mudar o que nos rodeia, temos de fazer algo”

O que se anda a passar no mundo até pode ser uma trampa, mas há filmes que nos fazem acreditar na humanidade. E percebê-la mais a fundo. Exemplo disso são as obras do realizador Miguel Gonçalves Mendes, tão transgressoras e subversivas, como cheias de verdade, esperança e poesia. Ele é o realizador do documentário português mais visto de sempre, “José e Pilar”, que conquistou a crítica e o público internacional ao revelar a intimidade do escritor e Nobel da literatura José Saramago, e da sua mulher Pilar del Rio, como nunca antes. Já antes Miguel Gonçalves Mendes retratara o poeta e surrealista Mário Cesariny e, este ano, levou-nos aos labirintos da cabeça do filósofo Eduardo Lourenço, em “O Labirinto da Saudade”. Mas o filme que vai estrear em 2019 é ainda mais ambicioso e empolgante. Chama-se “O Sentido da Vida” e fê-lo embarcar numa viagem ao redor do mundo a fim de questionar a nossa existência. Qual o sentido da vida? É ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição Multimédia

Jornalista

Mário Henriques

Ilustração

Assinar no iTunes: http://apple.co/2mCAbq2
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Se usar Android, basta pesquisar A Beleza das Pequenas Coisas na sua aplicação.

Uma voragem de histórias fascinantes, e outras tantas ideias, projetos e sonhos maiores do que a vida, regadas a vinho branco e muitos cigarros à mistura, é o que tem para ouvir neste episódio intenso e animado.

É que há no realizador Miguel Gonçalves Mendes uma urgência em viver e em fazer e, acima de tudo, uma arte especial em falar do que importa com quem importa, surpreendendo sempre na forma criativa, elegante e eloquente como o faz.

Na verdade, parece haver um antes e depois de Miguel no universo dos documentários. Aliás Mário Cesariny, um dos mais extraordinários poetas e artistas que tivemos, chegou a dizer um dia sobre Miguel depois de protagonizar o seu "Autografia": "Foi para mim uma surpresa inesperada existir um jovem como o Miguel. Conheci o Miguel, fiquei Miguelista."

Depois de "Autografia", "José e Pilar" ou o "Labirinto da Saudade" (entre tantos outros) o projeto que ocupa a cabeça de Miguel há quatro anos, com estreia marcada para 2019, chama-se "O Sentido da Vida" (nome tomado aos Monty Python) e é seguramente o filme da sua vida.

E que o levou a dar a volta ao mundo na companhia do jovem brasileiro Giovane Brisotto, um engenheiro cartógrafo portador de uma doença degenerativa e mortal que aceitou juntar-se a Miguel como última jornada, para seguir a rota que os portugueses fizeram na época em que espalharam a "doença dos pezinhos" - a maleita de que padecia.

Nesta obra tão incrível como megalómana, Miguel reflete sobre a existência humana, as suas contradições e o sentido de tudo isto. E juntou-lhe mais sete personagens dos vários cantos do planeta, como o astronauta Andreas Mogensen, a figurinista japonesa vencedora de um Óscar, Emi Wada, a ex-Presidente do Brasil Dilma ou o escritor Valter Hugo Mãe. Um filme que nos desarruma e interpela. Até porque, como nos chega a dizer: "A realidade é sempre mais inverosímil do que a ficção. A História ensina-nos isso. São irreais as coisas que estão a acontecer neste planeta".

Ainda neste episódio, como já é hábito, pode conhecer perto do final mais um testemunho da rubrica "Toda a Gente Tem Uma História". Desta vez quem nos conta é a Patrícia Paixão, de 42 anos, empresária, proprietária de uma lavandaria self-service e de um Airbnb, vencedora do prémio Revelação Gazeta, em 2000, e que a dado momento da sua vida se mudou para Nova Iorque. Uma época em que serviu "os melhores croissants franceses da cidade na patisserie Ceci-Celá e deliciosas doses de Bacalhau à Braz no restaurante Pão". As histórias que nos conta recordam esse tempo, algures entre 2004 e 2009, às quais deu o nome de "Amor e Pistolas".

E deixa o aviso: "Embora os nomes não pertençam às personagens, excepto o da minha cadela, e seja importante que o ouvinte retenha este aviso: a verdade só existe nas vossas cabeças porque a sua validade expira quando o narrador chega ao fim. Depois, é só isso: uma história..."

Este é um convite que lançamos semanalmente aos ouvintes para que nos contem também as suas experiências e relatos, maiores do que a vida, ou tão simples como ela pode ser.

Podem ainda gravar um áudio comentando os episódios que mais gostaram e as vossas razões. Contamos consigo?

Enviem-nos os vossos textos e áudios, comentários e sugestões, para: abelezadaspequenascoisas@impresa.pt

Até para a semana, e boas conversas!