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  • Manuela Ferreira Leite

    Manuela Ferreira Leite

    Este artigo de opinião foi publicado incompleto no sábado no semanário Expresso, sem as duas últimas linhas, por um erro do Expresso. Aqui se republica o artigo na íntegra, com um pedido de desculpas pelo lapso a Manuela Ferreira Leite e aos leitores

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Espero, sinceramente, que a grande comoção nacional sobre os finalistas portugueses em Torremolinos tenha passado, ou pelo menos tenha sido substituída por outros factos não menos gravosos como o de saber se a demissão de Dijsselbloem devia ter sido pedida com mais ou menos força, para que possamos falar disto com tranquilidade. Daniel Oliveira escreveu aqui ‘Sei o que fizeste em Torremolinos’, que subscrevo na generalidade, até no título. Mas eu gostaria de ir mais longe e escrever “Sei o que fizeste na geração passada e nas outras anteriores”

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Esperava-se um balanço do seu mandato, uma reflexão sobre o passado recente do País, um testamento político. Qualquer coisa com a grandeza que se pede a um antigo chefe de Estado. Mas se assim fosse, Cavaco não seria Cavaco: um homem que sempre reduziu o País à sua própria pequenez. Ao revelar, tão pouco tempo depois de abandonar a Presidência e quando ainda não pode estar a fazer história, conversas que a tradição sempre manteve reservadas, quebra uma regra de confiança institucional. As conversas de quinta-feira foram entre o Presidente e o primeiro-ministro, não entre Cavaco e Sócrates. A partir de agora, o primeiro-ministro, seja ele qual for, sabe que o que diz ali pode vir a ser publicado pelo Presidente, seja ele quem for. E vice-versa. E isso afeta a informação que um passará a outro, reduzindo os mecanismos de coordenação de que o sistema semipresidencialista depende. Mais uma vez, Cavaco demonstra não compreender que o cargo está acima do homem e que os interesses do País estão acima do seu ressentimento. Que não é, nunca foi, um homem de Estado

  • Andamos nisto

    Daniel Oliveira

    Como a comunicação social, Trump alimentará novelas de pequenos incidentes, politicamente irrelevantes mas suficientemente idiotas para terem impacto mediático. Distraindo todos com pequenas mentiras, poderá governar sem qualquer verdadeiro escrutínio em relação às grandes mentiras. Os jornalistas que ainda queiram fazer o seu trabalho serão tratados como fazendo parte do sistema, inimigos políticos a quem os seus apoiantes nem darão ouvidos. Trump pode fazer tudo isto porque, transformado, no início da sua carreira política, em personagem política por uma comunicação social viciada em figuras grotescas que garantam audiências, já não precisa dos jornalistas para nada. Chegam-lhe os posts nas redes sociais, que a própria comunicação social não se cansa de reproduzir. Trump usou e usa contra os jornalistas as armas que eles próprios lhe foram oferecendo, garantindo assim, através da neutralização do escrutínio aos seus atos, total impunidade para si mesmo

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Soares foi um líder político do seu tempo e isso provavelmente quer dizer que seria líder de outro tempo qualquer. Representou o combate pela abertura do País ao exterior, que o levou a ser europeísta. Representou o confronto da guerra fria, tendo-se posicionado ideologicamente tendo em conta esse confronto histórico. E representou, em Portugal, os combates fundadores de qualquer democracia. Mas não devemos confundir as capacidades de Soares com as suas circunstâncias. E a prova disso mesmo é que, no fim da vida, Soares soube compreender as novas divisões políticas que se estavam a desenhar na Europa e em Portugal. O tempo dos tecnocratas é o tempo que está a ser derrotado. A política está, em cores berrantes e feias, de regresso. Nesta nova era, perante estes combates de novo fundadores e dramáticos, Soares estaria como peixe na água. E quem queira ter um papel central neste confronto usará melhor o seu tempo a aprender com o legado de Soares do que a lamentar, pela enésima vez na história, o fim das grandes lideranças

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Passos Coelho só pode oferecer ao País a conversa do Diabo e a conversa do Diabo impede o PSD de passar para outra fase e começar a falar do futuro e do presente em vez do passado, de fazer propostas em vez de agoirar. Enquanto o PSD não mudar de liderança a geringonça está segura. Se não quiser regressar a uma matriz mais social-democrata ou manter-se na linha radical liberal, o PSD pode ir com a onda do momento e optar por uma liderança de recorte autoritário. Rui Rio seria uma espécie de Trump suave que, apesar da sua relação tensa com a democracia e com a liberdade, daria resposta ao mal-estar ainda dentro do sistema. De todas, parece-me a mais provável. E quanto menos houver para atacar na estratégia económica do governo mais sobrará para os temas de que Rio gosta. Há apenas um pormenor: falta a Rui Rio a determinação de Trump. O estilo autoritário não casa bem com o de quem espera sempre que alguém o leve no andor

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Concordo que há razões para satisfação com a eleição de António Guterres, discordo que ela resulte de qualquer melhoria da imagem do País. A primeira razão para satisfação é negativa. O golpe alemão não resultou. O processo transparente, prometido nesta eleição, venceu. A segunda está no perfil de António Guterres. Muito mais do que ser português, conta na sua candidatura ele vir da ACNUR. A escolha de um homem vindo desta frente da ONU é um sinal de preocupação com aquele que será, até mais por razões ambientais do que políticas, um problema cada vez mais grave. E estou convencido que António Guterres virá a ser o melhor secretário-geral que a ONU teve até hoje. O lugar assenta-lhe como uma luva. A terceira razão é interna. Ver premiado o percurso de António Guterres, que saiu da política nacional para continuar a entregar-se ao serviço público, é uma boa forma de ilustrar uma frase feita: que na política há de tudo. Há Durão mas também há Guterres

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Marcelo reconhece que os acordos internacionais defendem uma maior “transparência fiscal transfronteiriça”. Só não parece achar muito importante haver uma maior transparência fiscal dentro de casa. Todos sabemos que os contribuintes cumpridores continuarão a dar ao fisco muito mais informação do que lhe foi recusada por Marcelo. Só mesmo quem foge aos impostos viu alguma coisa protegida. O argumento de Marcelo não podia ser mais claro. Vetou porque aplicar em Portugal um sistema que existe em vários países europeus com uma longa história de proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos não “dava um sinal positivo para a economia e as finanças do País” e minava a confiança no nosso sistema bancário. A ideia de que o combate à evasão fiscal é uma prioridade num tempo em que os que pagam são sufocados em impostos podia ser mal interpretada. Os investidores podiam achar que queremos ser como o Norte da Europa e lá se ia uma das nossas principais vantagens concorrenciais: ainda sermos aquele país onde, apesar de tudo o que mudou, quem tem dinheiro a sério e paga impostos é trouxa