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Direito de Resposta

Carta de Rui Moreso Guerra à Direcção do Expresso

Direito de resposta à notícia publicada dia 19 de Abril na edição impressa e a 21 de Abril na secção"actualidade" do site do Expresso.

No artigo 'Radares sob suspeita' da vossa edição de 19 de Abril e idem on-line de 21 de Abril, da autoria de Valentina Marcelino, afirma-se logo no lead que 'Rui Guerra é o principal foco de controvérsia'. Qual? No mesmo parágrafo, pouco se concretiza álem da informação curricular. Adiante, lá se vai insinuando que afinal, eu, o tal engenheiro-vogal do IPTM que soma consultorias em empreitadas de obra de segurança marítima nacional a relações comprometoras com consórcios que dependem da minha avaliação técnica, estou feito com o MEAI, com a EADS (European Aeronautic Defense and Space) e com a GNR-BF, provavelmente entre outros.

Pelo meio, verificada (?!) esta falta de isenção a toda a prova, ainda me defendo, dizendo que ?tenho a incumbência e o dever de defender os interesses do Estado... com todo o empenho e capacidade de que disponho'. Talvez porque do ponto de vista da execução de um projecto tecnologicamente complexo e de grande dimensão (cerca de 102 milhões de euros), o IPTM orguçha-se de ter conseguido implementá-lo no prazo definido e com custos contolados, tal como foi anunciado na inauguração do Centro de Controlo de Tráfego Marítimo de Paço de ASrcos no mês passado. Claro que esta informação não interessa nada nem tão pouco será revelante a minha experiência profissional específica na área das Comunicações, que ronda as duas décadas de exercício activo, como factor de decisão nas escolhas oficiais e nas minhas decisões técnicas.

É não notícia, eu compreendo, e, assim, presumo que identificará a ironia da minha argumentação. E que apesar de outras cartas suas me terem fidelizado ao vosso semanário, bem como a isenção, a equidistância e a comprovação dos factos, a notícia de que fui protagonista deixa-me o desconforto de uma apresentação enviesada dos acontecimentos por forma a sugerir sub-repticiamente uma conclusão particular do jornalista/narrador.

Assim, o direito de resposta e de rectificação impõe que se esclareça tal notícia com o mesmo destaque:

1. Em 2004, Rui Moreso Guerra fez parte do júri que apontou a proposta da EADS/Atlas como vencedora, tendo sido a adjudicação feita pelo Ministério da Defesa e dos Assuntos do Mar, que tutelava o IPTM nessa altura e não "que adjudicou, em 2004, o sistema de vigilância marítima do Ministério das Obras Públicas à empresa EADS/Atlas".

2. Em 2006, Rui Moreso Guerra acompanhou uma delegação da GNR-BF, como consultor do gabinete do ministro, com o fim de avaliar sistemas, a par de outras visitas feitas com o mesmo fim e não "levou os oficiais da Brigada Fiscal que estavam a elaborar os requisitos técnicos do SIVICC a visitar as fábricas na Europa da EADS/Atlas".

3. Nesse mesmo período Rui Moreso Guerra participou em reuniões técnicas no MAI, pelo gabinete do ministro e na presença de membros do Governo e oficiais da GNR-BF, logo não "acompanhou os técnicos da EADS/Atlas em reuniões no MAI".

4. Rui Moreso Guerra, vogal do Conselho Directivo (CD) do IPTM, não "trabalha com" a firma EADS/Atlas nem "gere, em conjunto com a EADS/Atlas o sistema de vigilância".

5. Enquanto vogal do CD, Rui Moreso Guerra tem a responsabilidade da implementação do sistema VTS na costa continental portuguesa, havendo um contrato de fornecimento de equipamentos e serviços com um consórcio liderado por EADS/Atlas.

6. Rui Moreso Guerra não promoveu ' as propostas da empresa que montou o sistema no IPTM, a EADS (European Aeronautic Defense and Space), que também concorre ao SIVICC', pois apenas realizou um estudo que irá permitir ao Estado poupar dezenas de milhões de euros na não duplicação de meios, a par do que foi feito com a FAP e a Marinha, conforme foi amplamente divulgado, mas a notícia nada refere.

Afinal, como me encontro no centro de uma polémica? Dei esclarecimentos por escrito e de forma clara, exactamente para não haver possibilidade de se gerarem equívocos em matéria tão sensível, a pedido da autora da notícia. Apesar disso, a explicação serena e fundamentada dos factos em contexto e a reflexão atempada que esperava do vosso trabalho de investigação e não a aparência do imediato ou de fontes interessadas no rumor emocional e no despeito por quem decide, obrigam-me agora partilhar convosco esta suspeita de ter sido alvo de um 'papagaio pirata'. Mas nem todos navegamos nas mesmas marés e a minha é apenas governada pela Lua, já que respeito a ordem do Universo e, por isso, 'procuro fazer da minha vida a minha maior empresa'.

Rui Moreso Guerra