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Cartas dos leitores

Alcochete e o Tratado de Lisboa

Duas decisões tomadas pelo Governo e conhecidas em dois dias seguidos. O aeroporto vai para Alcochete e o Tratado de Lisboa não vai ser sujeito a referendo popular.

Quanto ao aeroporto qualquer decisão tomada nesta altura iria e irá gerar polémicas e comentários, face às várias hesitações do Governo e às já tão celebres frases, "deserto na margem sul" e "jamais" - em francês - proferidas pelo ministro das Obras Públicas. Porém acabamos por perceber que o Governo mesmo que estivesse "apostado" na Ota, acabou por decidir por Alcochete baseado em estudos credíveis efectuados - a pedido do mesmo Governo -  pelo LNEC, - decisão preliminar, que por certo terá que ser definitiva mau seria se nesta fase não o fosse.

Claro que se vai sempre pensar que se não fosse a CIP a apresentar um estudo para análise pelo PM e pelo PR sobre a hipotese  Alcochete o aeroprto seria por certo na Ota. Mas ainda bem que a opção foi Alcochete, dado ao que tudo indica e com base nos estudos do LNEC ser a opção mais viável, mais económica, mais duradoura. Ficamos sem perceber se a opção Portela + 1 seria também uma boa escolha, mas foi já muito bom não ter sido "forçosamente" a OTA. Ainda bem.

Agora vamos assistir as várias manifestações, umas  vindas da OTA por estarem à espera do seu aeroporto há mais de dez anos e o terem "perdido", e  outras vindas de Alcochete de pessoas a quem não agrada ter os seus terrenos invadidos por um aeroporto, suas infraestruturas e vias de acesso, faz parte do momento em que vivemos, e ainda bem que ainda há liberdade de expressão.

Esperemos que a partir de agora haja a máxima clareza de procedimentos, e que "todos" possamos compreender, mesmo que alguns não aceitem, a escolha Alcochete. Quanto a não ser feito o Referendo sobre o Tratado de Lisboa, sendo uma decisão assumida pelo Governo após várias hesitações, também parece a mais acertada dado que o referendo iria estar envolvido de uma forte carga emotiva, que iria acabar por poder influenciar a razoabilidade dos resultados finais.

Como é evidente, pode-se pôr em causa o Tratado de Lisboa, mesmo que já não seja a Constituição Europeia, sem hino e sem bandeira, mas a alternativa nesta fase seria no mínimo estranha e até complicada, porque por muito nacionalista que se queira ser, o "orgulhosamente sós" já não funciona, e temos que estar totalmente "dentro da Europa",  sabendo sempre  que a mesma tem imensas dificuldades em funcionar unida, que despeza os países mais pequenos, mas é a única opção de momento, e antes de se colocar em causa a possível Europa Unida, talvez fosse muito mais necessário repensar sériamente a "globalização" impondo regras, e humanizando-a, e não só aceitá-la porque é moderno, é actual, tem que ser.

Assim aqui no nosso cantinho vamos ter muita conversa, muitos telejornais, muitas primeiras páginas de jornais, com Alcochete e com o Tratado de Lisboa, e a ver vamos se o ministro das Obras Públicas se aguenta e já agora o da Saúde.

Augusto Küttner de Magalhães, Porto

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