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Expresso

Nuno Presa Cardoso

Bola na rede

Estamos todos saturados de futebol, mas mesmo assim vou arriscar a escrever mais umas linhas sobre o assunto. No entanto, vou socorrer-me do estilo alemão e avançar sem rodriguinhos para a baliza.

Este foi o último mundial de futebol sem transmissão dos jogos pela Internet. Não me refiro aos "geeks" que dominam os meandros da "world wide web" e que conseguiram acompanhar os jogos em casa ou enquanto trabalhavam, mas à grande maioria da população. Em Portugal, a transmissão em sinal aberto só aconteceu nos jogos da selecção portuguesa, da brasileira e daqueles considerados mais importantes, como o jogo de abertura ou a final. Foram apenas 14 jogos no total, mas daqui a quatro anos quando o mundial voltar a acontecer, na África do Sul, todos os jogos poderão ser vistos na Internet. É inevitável.

Este evento que suscita tamanho interesse e tão grandes audiências tem

sido defendido com unhas e dentes, paus e pedras, pelo organismo máximo do futebol que assim continua a arrecadar milhões com patrocínios e transmissões televisivas.  Mas este cenário vai mudar, e é previsível que a FIFA venha a enfrentar um desafio idêntico ao que a indústria musical está a passar agora com a partilha ilegal de ficheiros musicais.

A televisão na Internet tem demorado a arrancar. É anunciada e publicitada com mega campanhas mas a verdade é que a qualidade está como a água das nossa albufeiras, muito abaixo do que seria desejado.

Mas tudo será diferente com a evolução da banda larga. Dentro de quatro anos, quando Cristiano Ronaldo pisar os relvados sul-africanos (esperamos nós) a velocidade de transmissão será de tal maneira veloz e fiável que os jogos em directo pela net serão uma realidade. E nessa altura muitas questões serão levantadas. Questões que se prendem com os avultados investimentos que as televisões fazem para obter o exclusivo das transmissões e que esperam reaver e multiplicar através do aumento em publicidade. Televisões e anunciantes terão então que se adaptar às novas regras de mercado e a audiências mais dispersas, procurando soluções alternativas, naquilo que será um desafio extensível também às agências de publicidade.

Ainda é cedo para podermos avaliar o desempenho da SIC neste mundial. Registaram-se valores de share e audiência média muito elevados, nomeadamente no Portugal-França, onde em cada 100 portugueses 82 estavam a ver o canal três. É muito e é muito bom. Resta saber se os sete milhões de euros investidos produzirão efeitos a médio prazo mantendo os telespectadores na SIC agora que o mundial acabou.

Em 2005 a Tv Net afirmava-se como a primeira estação televisiva portuguesa na internet. Quase um ano depois continua a ser praticamente desconhecida da grande maioria dos portugueses.

Ainda vamos ter que esperar mais algum tempo até que se possa aceder a um site e ver televisão. Mas felizmente não será muito.

Nuno Presa Cardoso

Director criativo da BBDO