Siga-nos

Perfil

Expresso

Quando o verão chegar ao fim

Uma canção italiana destes últimos anos tem um desses versos corridos, que cabe inteiro num assobio, mas que colhe com intensidade isso que muitos chamam a síndrome do fim do verão. O verso dedilha-se assim: “Há por certo alguma coisa quando o verão chega ao fim que não consigo bem dizer:/não consigo respirar”. Justa ou injustamente, setembro é alvo de muitas queixas: parece que, de repente, a respiração nos dói; já não acontece tão natural, a plenos pulmões, como pouco antes; sentimo-la confinada, férrea e alheia, como se não nos pertencesse. Colocámos no verão esperanças maiores que o verão — compreendemos agora. Acreditámos que fosse eterna a estação que, de uma hora para outra, vemos demolir. Pensávamos que ali, quem sabe, fosse possível reencontrar tudo o que não temos e fosse possível renascer... Contudo, indiferentes às nossas razões, os dias começam a tornar-se breves, a temperatura declina, uma melancolia teimosa infiltra-se na carne dos nossos regressos e tudo nos custa como se estivéssemos desabituados, como se ninguém nos tivesse informado que a vida — a nossa vida — deve seguir o seu rumo.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI
(acesso gratuito: basta usar o código que está na capa da revista E do Expresso. pode usar a app do Expresso - iOS e android - para fotografar o código e o acesso será logo concedido)