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A sopa e as nuvens

Muitas vezes tenho pensado, até para fazer justiça ao título que há uns anos escolhi para acompanhar estas crónicas, que deveria saber mais coisas sobre nuvens. Elas parecem um assunto lateral e dispersivo, sem grande impacto na fisionomia do presente, e com o qual é incompreensível que pessoas sérias percam o seu tempo. Charles Baudelaire chamou a um dos seus pequenos poemas em prosa “A sopa e as nuvens” para refletir precisamente sobre isso. Enquanto a sua companheira servia o jantar, ele contemplava pela janela aberta da sala “as arquiteturas movediças que Deus formou com os vapores; maravilhosas construções do impalpável”. E detinha-se a pensar em como são belas essas fantasmagorias. Mas logo a companheira lhe bate violentamente nas costas para o reconduzir à tarefa mais premente: “Ocupa-te antes da sopa, ó mercador de nuvens!” É claro que esse arrufo não foi suficiente para o dissuadir de uma vez por todas. Em 1862, Baudelaire publica o poema “O estrangeiro”, que é provavelmente um dos mais belos textos que se escreveram sobre nuvens: “De quem gostas mais, diz lá, homem enigmático?/ (...) Que amas tu, singular estrangeiro?/ Amo as nuvens... as nuvens que passam... lá longe.../ as maravilhosas nuvens!”

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