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Expresso

Pedro Sousa

Sempre de olho nelas

A valorização desmesurada da opinião alheia em Portugal, em especial sempre que é proferida "além fronteira" conduz ao desperdício de demasiada energia. Raramente se faz uma análise construtiva: o exercício é fútil, pouco fundamentado conduzindo à "catarse" colectiva que alimenta o sentimento de infelizes militantes fadados a um destino cruel.

 

A obsessão nacional pela noticia divulgada na imprensa estrangeira, mesmo que efectuada em obscuros meios de comunicação, tablóides, ou canais de televisão de "terceira categoria", faz esquecer que, infelizmente, por todo o mundo, um assunto só é noticia e gera bons títulos se abordar de forma sensacionalista o lado negro dos acontecimentos

As noticias, com quais invariavelmente perdemos tempo, são muitas vezes produzidas com ligeireza e pouco rigor, seguindo a regra universal do "Quanto pior, melhor" e na maioria dos casos, servem pouco mais do que ocupar espaço disponível, e aumentar as audiências.

 

Naturalmente, quem as veicula ignora o facto destas provocarem uma depressão generalizada num pequeno país que assimilou durante muitos anos a sensação que é incapaz de vencer num espaço de competição aberto e global.

 

No dia em que descobrirem que somos vitimas tão indefesas, começarão a fazer o seu uso para atingir outros fins, caso já não o façam deliberadamente.

 

É necessário entender que o nosso valor não se discute nos jornais. Valorizar os assuntos publicados em meios de comunicação estrangeiros ou nacionais sem analisar o contexto, e extrair sem dramas o que é essencial, é um erro profundo.

 

Um pequeno périplo pela Europa permite constatar que os italianos e gregos possuem hospitais muito "assustadores", que a polícia inglesa não é especialmente eficaz, que na Suíça também existem zonas degradadas e que os Espanhóis e Franceses conduzem de forma muito desastrada.

 

Sem esperança de deprimir toda esta gente, que para além de não saber ler Português, jamais ocuparia o seu tempo com a opinião de terceiros, torna-se um imperativo aprofundar o hábito de analisar as NOTÍCIAS que falam sobre Portugal, E SEMPRE DE OLHO NELAS ... extrair o essencial e procurar evitar o nosso estado depressivo habitual.

 

É tempo de reagir construtivamente às críticas fundadas e melhorar, ignorar as restantes e concentrar as nossas energias na criação de valor  para desenvolver  a nossa auto-confiança.

 

Pedro Sousa

Professor Universitário, na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos