Siga-nos

Perfil

Expresso

Pedro Sousa

Santos da casa fazem milagres?

No actual contexto de globalização insistir na discussão da necessidade de Internacionalização de uma empresa é uma profunda perda de tempo.



Não existem empresas regionais, nacionais ou internacionais. Existem simplesmente empresas com boas e más estratégias.



As empresas têm que ser preparadas para assumirem uma dimensão "glocal"; isto é pensadas localmente para agir globalmente.



Discutir, se uma empresa deve ou não iniciar um processo de Internacionalização, faz tanto sentido, como debater se uma empresa deve ou não ter lucro.



A ideia de que podem existir empresas de cariz regional é um contra-senso à luz dos novos modelos de gestão e de organização económicas. A globalização é uma realidade, e veio para ficar, e quem ignorar este facto será inexoravelmente eliminado a médio/longo prazo.



Contudo é necessário evitar "embarcar" na "moda" de internacionalizar em função de cada nova embaixada de representação de Portugal porque desconcentra e consome demasiado tempo.



Procurar a diferença, estabelecer objectivos concretos e claros, actuar de forma prudente, independentemente do espaço geográfico, é o grande desafio que as organizações devem estar preparadas para assumir.

Em cada região de actuação da empresa torna-se essencial identificar os interlocutores estratégicos locais que possam interiorizar a cultura diferenciadora da organização , acrescentando, contudo, os indispensáveis condimentos regionais que facilitem a penetração em cada um dos mercados.



É necessário voltar ao princípio da actuação empresarial e adoptar uma cultura determinada pela actuação dirigida ao mercado, agora contudo, numa óptica global.





Neste "caldo", pensar o mercado global e agir localmente tem de passar a ser o paradigma que norteia a acção do mundo empresarial. Porque a tradição já não é o que era e os "santos da casa já não bastam para fazer milagres".

Pedro Sousa

Professor Universitário na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos