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Expresso

Pedro Sousa

Quanto mais difícil...

Existe a sensação que a margem de manobra das organizações, incluído dos países, é diminuta pelo que, independentemente de quem decide, o resultado será sempre idêntico. Esta premissa é entorpecedora e torna-se perigosa.

 

É verdade que a liberdade de acção já não é a que era, o que em muitos casos se revelará extremamente benéfico, contudo as pessoas são determinantes sendo essencial garantir que os melhores ocupam as posições adequadas.

 

O exercício "lúcido" do poder obriga, entre outras características, à capacidade de decisão em conjugação com uma ajustada programação e mobilização de recursos.

 

A capacidade de decisão esclarecida não é uma faculdade que prolifere e o acto de decidir o rumo e passar à prática é difícil e isola; pois cria sempre resistência em quem observa os seus "direitos" comprometidos. O exercício de programação e mobilização; incluindo neste capítulo a organização, planeamento e calendarização - requer muito esforço e reflexão, actividades que parecem cada vez menos apreciadas na nossa sociedade.

 

Se estas capacidades não são comuns, a sua presença em simultâneo numa pessoa, são ainda mais raras, sendo contudo essenciais para conduzir os destinos de uma organização.

 

Podem obter-se resultados extraordinários com a tomada de medidas esclarecidas no momento certo. Nem sempre o dinheiro é solução. O grau de liberdade e a "folga" orçamental podem muitas vezes conduzir ao desperdício bem como a complacência com a mediocridade e vulgaridade.

 

Torna-se, assim, essencial não pactuar com incapazes e especialmente não descansar a consciência com o princípio errado que as decisões estão prédefinidas em entidades abstractas que, com bondade ou não, decidirão o amanhã.

 

Num contexto pouco favorável, em que não existem grandes "margens de manobra", é ainda mais importante não desperdiçar recursos, em especial, os que se relevam nos momentos de maior dificuldade...

 

"What is required of us is that we love the difficult and learn to deal with it. In the difficult are the friendly forces, the hands that work on us. Right in the difficult we must have our joys, our happiness, our dreams: there against the depth of this background, they stand out, there for the first time we see how beautiful they are."

em cartas de Rainer Maria Rilke

 

Pedro Sousa

Professor Universitário, na FCT/UNL e Director de Inovação da Holos