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Paulo Querido

Podcast: abaixo das expectativas

A Internet continua a ser o reino do texto. Os podcasts - uma forma de distribuir conteúdos áudio - prometeram uma revolução nos hábitos de consumo que, dizem agora os números, não estão a cumprir.

O estudo da Pew Internet and American Life Project (aqui em PDF) refere-se naturalmente ao mercado dos EUA e indica que 12 por cento dos americanos já puxou um ficheiro áudio. Um aumento de cinco pontos percentuais relativamente a uma pesquisa semelhante realizada no início do ano.

Mas este crescimento é natural e pouco nos diz: puxar ficheiros da web é vulgar e tem pouco a ver com a noção de emissão (broadcast) que define um podcast. Outro indicador de maior importância quando medimos a evolução de uma tendência é a fidelização por ela proporcionada; no caso vertente, apenas um em cada cem inquiridos em ambos os estudos respondeu puxar um ficheiro num dado dia. O número permanece eloquentemente inalterado desde Fevereiro.

Explicado em palavras simples, a uma quantidade cada vez maior de "emissões" em podcast corresponde uma percentagem inalterada de "ouvintes", significando que o "meio" não está a captar novas audiências.

O podcast começou, como é hábito, pela mão dos info-entusiastas. Em 2006 começou a alastrar pelas estações de rádio e televisão e também pelos jornais online: o Expresso foi o primeiro jornal português a introduzir os podcasts regulares na sua edição (aqui). Há dois anos o Podcast Alley britânico listava cerca de um milhar de emissões; hoje apresenta mais de 26.000, que no conjunto dispõem de mais de um milhão de episódios, ou programas.

Um estudo do The Diffusion Group de 2005 citado pela BBC previa que os podcasts alcançassem uma audiência global nos Estados Unidos de 56 milhões de pessoas em 2010. Mas em Maio último outra entidade, a Forrester, previa uma audiência de apenas 12 milhões para essa data. Será que tudo se resume à forma de medir as audiências, que simplesmente não existe, abrindo campo a todo o tipo de especulações e brincadeiras com os números?

É possível. Mas a verdade é que não se vê grande agitação pelas bandas dos podcasters. Em Portugal há apenas um directório, que não tem registado crescimento significativo: o Lusocast. Desde Maio passado, quando surgiu o primeiro e até agora único estudo sobre o podcasting no país (de Luís Bonixe, publicado no rádio e jornalismo ) o acontecimento mais significativo foi o ingresso de Sena Santos neste meio, uma forma de o Sapo tentar animar o panorama. Como os blogues, os podcasts são um meio propício aos nichos. Só que afinal cresce mais devagar.

Paulo Querido

jornalista