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Expresso

Paulo Querido

Pesquisas perigosas

Certos termos provocam respostas dos motores de pesquisa que são perigosas para a saúde dos PCs. O Google vai passar a fornecer avisos. O que levanta a questão sobre quem classifica o chamado "badware".

Uma inocente pesquisa num motor qualquer com os termos "free screensavers", ou "screensavers", ou "free ringtones" pode tornar-se num pesadelo. Os cérebros por detrás das criminosas redes de "badware" – o "sofware" malicioso que se instala sem notificação nos nosso computadores para executar tarefas ilegais – estão a usar técnicas de "Search Engine Optimization" (SEO) para obterem novos canais de distribuição.

Ao contrário do que se passou com o "spam" – contra o qual a indústria no seu todo, dos operadores aos políticos legisladores passando pelas empresas de "software", negligenciou o combate até ser tarde demais – contra o "badware" os avisos dos caçadores de vírus e outros ataques informáticos foram ouvidos a tempo por toda a gente. Resultado: maior rapidez no combate à distribuição e dificuldades de crescimento. Os consumidores estão melhor avisados e sobretudo melhor protegidos. Pelo que aos criminosos só resta uma forma: encontrar novos caminhos, limpos, e que não levantem suspeitas.

Ora, ninguém desconfia de um blogue ou site que anuncia programas e notícias da moda e que até aparece nas pesquisas do Google. Vai de clicar e quando menos se espera o PC ficou "zombie", comandado à distância por um "cracker" de Leste.

Uma pesquisa efectuada em Maio revelou que quatro a seis por cento dos "websites" pesquisados continham conteúdo perigoso mas perante chaves como as já citadas o número disparava para mais de 60 por cento.

A Google Inc é uma das empresas que patrocinam a iniciativa de estabelecer um sistema para identificar o "software" perigoso e os "sites" que tentam enganar os internautas e instalar nos respectivos PCs esses programas maliciosos. A campanha StopBadware.org é um esforço conjunto para identificar os sites e aconselhar as pessoas a terem cuidado, nomeadamente com a introdução de um aviso junto do respectivo "link" nos resultados de uma pesquisa.

A intenção é sem dúvida alguma louvável. Mas levanta outras questões, como a de saber quem vai decidir que sites são ameaçadores e porquê. A presença do britânico Oxford Internet Institute entre os organizadores é uma referência e no grupo de trabalho estão pessoas de confiança como Simson Garfinkel. Mas os conceitos de "badware" e mesmo de "spyware" podem rapidamente tornar-se escorregadios numa web repleta de novas aplicações destinadas a aumentar a participação do cidadão nos projectos editoriais.

Paulo Querido

Jornalista