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Expresso

Paulo Querido

Pesquisa: o Google e os outros

Talvez seja actualmente a marca mais forte do planeta. Google é sinónimo de motor de pesquisa – a tal ponto que muitas pessoas não sabem que há mais. O Ask.com é a outra estrela em ascensão.

 

Por vezes, notícias mais pequenas, ou menos relevantes, passam pelos dias mediáticos sem deixar rasto. E no entanto reportam detalhes cruciais. Entre o bruá do Vista e o divórcio de Britney Spears numa blogosfera que produz 1,3 milhões de posts diários (David Sifry), o anúncio da escolha do motor de pesquisa Ask.com pelo portal Lycos parece de segunda categoria. Mas não, é de primeira importância. Não tanto pela troca (a pesquisa da Microsoft foi abandonada) mas pelo significado em termos do mercado – o actual e o futuro.

 

A Google Inc. veio revolucionar a pesquisa e em escassos quatro anos passou do culto geek para o motor de pesquisa dominante no mundo. Sobretudo entre os que chegaram à web nos últimos três ou quatro anos, é normal os utilizadores não conhecerem, sequer, a existência de outros motores. To google ('googlar') tornou-se um verbo de pleno direito na língua inglesa, sendo sinónimo de efectuar uma busca na web.

 

Sendo o melhor em determinada altura, o Google destacou-se sobretudo por apresentar resultados "puros", ou seja, não manipulados comercialmente. Até hoje a distinção entre pesquisa e links patrocinados permanece uma das principais imagens da marca.

 

Porém, o Google não foi o pioneiro da pesquisa. E alguns dos preteridos, amargadas as curas de emagrecimento e o ranger de dentes, estão de regresso. Com o valor acrescentado do seu capital intelectual (a Google foi buscar-lhes algum pessoal, mas não muito), o caminho já balizado pela Google e... a agilidade que entretanto a Google perdeu na engorda para o mercado de capitais.

 

Registado em 1998 como uma versão leve do AskJeeves.com (um "mordomo" que apontava os caminhos na web, parábola gráfica que fez sucesso durante anos), o ask.com foi no início deste século uma espécie de laboratório da pesquisa. A sua pequena dimensão levava a concorrência a tratá-lo com bonomia, até porque lucrava com os ensinamentos técnicos que o ask.com partilhava no meio.

 

Mas hoje a Ask.com está longe de poder ser considerada pequena. É um dos sites de maior crescimento em termos de acessos (Alexa) com o 48º lugar nos EUA e no top 200 mundial. Depois de dois anos de grandes mudanças (deixou o mordomo para trás) conquistou recentemente o quarto posto no ranking dos motores de busca. Os números da ComScore mostravam o Google com 45,1 % do mercado americano de pesquisas em Setembro último, o Yahoo! no segundo lugar com 28,1% e a Microsoft com 11,9%. O Ask.com aparece em seguida, com 5,8 % - mais duas décimas de cota que a AOL. E o Nielsen/NetRatings não engana: Google e Ask.com são os motores de maior crescimento nos EUA (citado pela c|net News).

 

Uma palavra final: dê uma oportunidade ao ask.com. Os resultados em português são inferiores aos do Google, mas vale a pena conhecer as alternativas.

 

Paulo Querido

Jornalista