Siga-nos

Perfil

Expresso

Paulo Querido

Open source: notícias da frente de batalha

A Comissão Europeia distribui fundos para a melhoria do software livre, enquanto Firefox, Adobe e até a Oracle lançam novos produtos e anunciam maior investimento num sector em alta.

 

Esta quarta-feira Larry Ellison anunciou em San Francisco que a empresa de que é o CEO, a Oracle, vai dar suporte aos clientes da Red Hat ao mesmo tempo que vai lançar um sistema operativo Linux com a sua própria marca. Durante a Oracle OpenWorld Conference Ellison – conhecido pela sua marcação cerrada a Bill Gates e à Microsoft – fez uma jogada inteligente e há algum tempo esperada.

 

O caminho do Linux, um sistema operativo de grande qualidade cujo código é aberto e que se obtém sem custos, passa pela sua adopção por grandes firmas, como a IBM fez antes e a Oracle vai agora fazer. Tirando partido da agilidade e da força de trabalho da comunidade de programadores do mundo inteiro que desenvolvem e aperfeiçoam o Linux numa base diária, as empresas vendem não o sistema, mas o apoio técnico (helpdesk), a assistência e soluções específicas que envolvam arquitecturas complexas. E escusam de gastar grandes somas no desenvolvimento do software.

 

Este é o modelo de negócio do software genérico para os próximos anos. A mudança da Oracle é um sinal fortíssimo. A Oracle tem sido uma das empresas acérrimas defensoras do modelo do software proprietário, pelo que a abertura reveste-se de um significado extra. O mesmo perfil tem a Adobe, que disponibiliza o leitor de documentos Flash para Linux cada vez mais depressa, numa aproximação ao movimento open source.

 

O software livre sofre de relativa indiferença popular nos Estados Unidos mas é acarinhado pelos países com menos recursos, do Brasil à China. Também a União Europeia tem vindo a atribuir-lhe cada vez mais importância, por razões políticas: não só as relações com a Microsoft não são boas, como os europeus são em geral mais ciosos da independência dos Estados face às empresas. O código fechado implica uma dependência do fabricante que desagrada a muitos.

 

Neste sentido, foi agora lançado um consórcio financiado pela Comissão Europeia, o Software Quality Observatory for Open Source Software, com o objectivo de ajudar as empresas e programadores de código livre a melhorarem a qualidade. Ao mesmo tempo é visto como uma forma de revitalizar a indústria europeia de software.

 

Talvez o programa de código livre mais conhecido e popular em todo o mundo, browser Firefox teve esta semana um upgrade para a versão 2.0, seguindo de perto o incremento do líder do mercado, o Internet Explorer.

 

A importância da guerra dos browsers foi aqui abordada na semana passada (novo Internet Explorer e a importância dos browsers). Sobre o upgrade do Firefox e sobretudo as falhas de segurança já detectadas em ambas as versões, consultar o meu blog pessoal.

 

Paulo Querido

Jornalista