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Expresso

Paulo Querido

O Novo Internet Explorer e a importância dos browsers

Milhões de pessoas têm da web uma experiência diminuída e perigosa por não saberem que existem mais browsers. A perder quota para o Firefox, a Microsoft voltou a importar-se com os clientes e fez uma nova versão do Explorer.

 

Passam praticamente cinco anos desde que a versão do Internet Explorer subiu um número; há 18 meses Bill Gates, então ainda Chief Technology Officer da Microsoft, prometeu um novo browser – com uma particularidade desta vez: ser um programa autónomo, isto é, vir separado do sistema operativo. A versão 7 do IE anda em versão beta, ou de teste, desde praticamente o início do ano e esta semana ficou disponível para download a versão final.

 

Consequência do abandono a que votou os seus clientes, que ao longo destes cinco anos viram este software tornar-se não apenas ridiculamente obsoleto como até perigoso, constituindo um estímulo à inovação no campo dos vírus e do malware, a Microsoft corre agora atrás de três prejuízos.

 

O primeiro, o da quota. Perdeu paulatinamente um quinto do mercado em apenas três anos, desde o ponto alto de Setembro de 2003. Em Setembro último as contas colocavam o Firefox, seu principal concorrente, com uma quota global de 27,3 por cento. Três anos antes ainda não existia a marca Firefox e o seu antecessor, o Mozilla, detinha 6,2 por cento; no conjunto, os browsers concorrentes não chegavam a ter um décimo do mercado...

 

Por muito disfarçada que seja com argumentação vária, nada esconde que a queda do IE foi muito grande. A percentagem de utilização do Firefox pelos públicos tradicionais é assustadora. E nos públicos emergentes chega a ultrapassar a fasquia dos 50 por cento!

 

Os programadores da Microsoft tiveram de correr atrás da inovação e da qualidade. Elementos da web como o RSS não existiam, sequer, em 2001. E aspectos então desprezados, como os esforços pelas regras comuns, tiveram de ser engolidos. A Microsoft aceitou com inesperada humildade (a mudança de líder está a reflectir-se na atitude corporativa?) as mudanças no ambiente tecnológico e este IE 7 bate-se taco a taco com as características e o desempenho do Firefox.

 

Finalmente, o prejuízo da imagem. Em grande medida a Microsoft foi surpreendida pelo impacto da blogosfera. Até há dois, três anos a empresa podia ignorar a gritaria dos utentes na Internet, a quem se chamava depreciativamente de nerds, até porque o seu marketing conseguia facilmente controlar a imagem nos media. Mas tudo mudou.

 

A troca de impressões e experiências entre os utilizadores potenciou a mudança dos descontentes. A desconfiança face ao código aberto, open source, diminuiu graças ao diálogo. O público dá agora menos crédito à empresa que desmazelou ao ponto da insegurança a peça de software mais importante, nuclear mesmo, da actividade do dia a dia. O mesmo público que, graças ao Firefox, ao Opera e a outros browsers de nicho, pode desfrutar de uma experiência da web enriquecida por várias técnicas e naturalmente se tornou exigente.

 

Paulo Querido

Jornalista