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Expresso

Paulo Querido

Filtros no YouTube: o recuo da usurpação de direitos

A braços com processos no valor de mil milhões de dólares, a Google anunciou um sistema de filtragem para evitar a publicação no YouTube de videos sujeitos a direitos de autor. A usurpação de direitos vai ficar mais difícil.

A ferramenta para filtrar os conteúdos chama-se Video Identification. Tem a capacidade de bloquear materiais sujeitos a direitos de autor: na prática, os videos nessas condições são impedidos de aparecer no site do YouTube.

Mas esse não é a única questão. As preocupações vão também para a distribuição dos videos através da web, a difusão viral.

Os engenheiros têm trabalhado desde há meses em parcerias com a Walt Disney e a Time Warner, dois grandes proprietários de direitos, e "só agora está pronto", referiu fonte do YouTube citada na imprensa. Num anúncio de Imprensa a empresa declarou que "o Video Identification é novíssima tecnologia" como forma de justificar a lentidão da sua adopção.

Mas os testes preliminares nada dizem sobre a eficácia da ferramenta ao nível das acções legais - o único instrumento ao alcance dos proprietários de direitos para fazerem valer a sua posição "dominante" sobre a indústria de conteúdos. 

A filtragem tem um aspecto positivo menos propalado nesta fase, talvez porque é secundário do ponto de vista de quem fez negócio a comprar barata e a vender cara a propriedade intelectual e o quer manter a qualquer custo, mesmo quando já se percebeu que no digital as regras mudaram. É o facto de fazer recuar o usurpação de direitos, dando aos primeiros autores a possibilidade de "assinarem" as peças video, impedindo a sua posterior reedição como se fossem de outro autor.

Num sector onde a assinatura é importante, funcionando a promoção do nome do autor como parte do pagamento em atenção por parte da audiência, o problema da usurpação é curial. Para a maioria dos autores ele é, aliás, o único problema.

Paulo Querido