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Expresso

Paulo Querido

Apple ganha disputa legal de 25 anos sobre a marca... Apple

Há um quarto de século que a Apple Inc e a Apple Corps se arrastavam em acções legais pelo direito do uso da marca. A empresa discográfica dos Beatles perdeu o nome mas as canções da banda emblema dos anos 60 vão finalmente chegar à loja iTunes.

É o fim de uma das mais estupidificantes sucessões de avanços e recuos, recuos e avanços entre dois casmurros. Ou, a julgar pelos resultados, talvez um casmurro grande e provocador (Apple Corps) e um casmurro pequeno e reactivo (Apple Inc).

A Apple Corps foi fundada há 39 anos em Londres por uma das banda pop mais famosas dos anos 60, The Beatles, para tomar conta dos direitos da altura e futuros (até hoje, amanhã, sempre), fossem quais fossem os meios de reprodução da sua música e registos gravados.

A Apple Computer nasceu em 1976, oito anos depois, em 1976, na Califórnia. Tornou-se Apple Computer Inc no ano seguinte e perdeu o Computer em Janeiro deste ano, passando simplesmente a Apple Inc. Fabrica computadores (hardware e software) e aparelhos informáticos para diversos fins.

Como é lógico supôr, ambas têm por logotipo uma maçã.

A disputa entre as empresas data de 1981 -- assim que a maçã americana começou a ganhar dinheiro e dimensão. Então era uma mera disputa de marcas e foi fácil estabelecer um acordo em que a Corps não saía da música e a Inc ficava nos computadores.

Mas os computadores deixaram de ser máquinas de escrever e calcular espertas. Antes desse década acabar os Macs vieram compatíveis com um formato de reprodução musical (o Midi) e a maçã britânica protestou. Dois anos de tribunal depois, a empresa de Steve Jobs ficou com um acordo menos restritivo, pelo qual pagou 30 milhões de dólares.

Ao fim de cinco parágrafos e dois acordos, note o leitor, ainda não falámos dos Beatles e sua música.

Veio o século XXI e o iPod e Paul McCartney, Ringo Starr e as famílias dos já falecidos George Harrison e John Lennon (que são a Apple Corps) acham mal que a Apple dos computadores entre na cena da música. Vão para tribunal. Até "um estúpido com pressa" é capaz de distinguir as diferenças entre as duas maçãs -- foi mais ou menos a argumentação principal da defesa. O juiz fez o que era natural: concordou. A maçã americana está associada à loja iTunes e ao aparelho iPod, mas não à música, pelo que a maçã britânica não empocha nem mais um penny, pelo contrário, ainda paga dois milhões de libras dos custos processuais. Estamos em Maio de 2006 e, como é normal, a Apple Corps recorre.

Na passada segunda-feira a Corps anunciou ter chegado a um acordo com a Inc. Steve Jobs declarara-se recentemente um fã dos Beatles. O recurso é anulado e em contrapartida a loja da Apple vai passar a vender música dos Beatles.

Provando a imbecilidade desta disputa que custou milhões aos erários públicos e privados em dois países, os correctores londrinos davam ontem 10 contra 1 em como o top ten das vendas será totamente ocupado por músicas dos Beatles algures este ano.

Eu, nem de borla saco uma canção dos fab four. Mas não aposto.

Paulo Querido, jornalista