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Expresso

Reginaldo Almeida

Vá pelos seus dedos...

Nos velhos álbuns de recordações jazem os tempos em que a maioria dos cidadãos abria os jornais e calcorreava os dedos pelas páginas dos anúncios classificados, em busca de casas, de carros, de sexo e, obviamente, de emprego. Depois das mãos encardidas, marcavam aqueles que interessavam com um círculo.

No que respeita ao emprego, seguiam cartas, quase sempre manuscritas que depois de entregues no apartado respectivo, muitas vezes em mãos, como se tal atitude fosse um factor decisivo para obtenção do posto de trabalho, aguardava-se com grande expectativa a resposta.

Hoje, accionado o computador, conectado à fórmula mágica rotulada de Internet, digita-se www.netemprego.pt e já está: num passe de mágica e à distância de um clique (oh milagrosa expressão) toda a carteira de empregos à nossa mercê, certamente uma das mais virtuosas realizações do Plano Tecnológico que aproxima as pessoas das empresas.

É certo que já existia a Bolsa de Emprego Público que reunia as necessidades de recrutamento de pessoal para autarquias, ministérios, tribunais e outros importantes serviços da República; já existiam bolsas de emprego facultadas por associações e sindicatos de áreas profissionais específicas, mas agora é ainda mais a sério. Temos o netemprego, onde as mais variadas (e até desvairadas) empresas têm as suas ofertas. O candidato escolhe a área profissional, a zona geográfica, o salário que acha compatível, a modalidade de emprego, a full ou a part time e até o idioma. Depois é só esperar uns segundos pelo resultado e, logo de seguida, seleccionar os que lhe interessam e enviar o currículo (tarefa que o próprio portal faz automaticamente se o interessado estiver previamente inscrito).

De facto, é mais fácil, mais barato, pode é não dar os milhões pretendidos, no entanto, embora não esteja registado em qualquer lugar como realidade suprema, este é um exemplo nato de civilidade e até de exercício de cidadania por parte dos poderes instituídos que o mesmo é dizer, da promoção do bem-estar geral decorrentes das vantagens das auto-estradas de informação.



Por outro lado, através do ciberespaço, os candidatos aumentam, criando-se uma espécie de nova emigração de uma sociedade sem classes que, numa primeira fase, é virtual, ou seja, um determinado emprego fora da área de residência que antes era ignorado mas que agora passa a estar disponível e pesa exclusivamente sobre os interessados a simples decisão de se candidatarem ou não.

Boa-sorte, senhores candidatos!

É verdade... será que se podem meter cunhas pela net???

Reginaldo Rodrigues de Almeida

Prof. universitário e autor