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Expresso

Reginaldo Almeida

No pódio, em evidente 1º lugar

Confirmado por recente e esclarecedor estudo, as gerações mais novas, principalmente a "tribo do polegar", preparam-se para condecorar o "output" rádio-televisivo com uma espécie de prémio de fim de carreira, tamanha é a versatilidade encontrada nas novas plataformas de comunicação, em particular na magia da verdadeira ciência da surpresa em que, dia após dia, se transformou a Internet.

Aliás, muitas vezes apanhados desprevenidos para a receber em nossa casa, na fábrica ou no escritório, a rede das redes inundou de rompante as nossas vidas e sem sequer mostrar o seu cartão de visita, passou a interagir directamente com a rotina de todos nós sem qualquer excepção, quer queiramos quer não.

Para maior latitude da defesa destes argumentos, refira-se ainda que os fenómenos televisivo e radiofónico, epicentros da socialização de épocas sucessivas que no pequeno ecrã e nas ondas hertzianas encontraram os mais fieis intérpretes de leitura do mundo à volta, desgastaram-se junto dos mais novos e, por mais méritos que estes veículos de comunicação tenham – e certamente têm e terão – o "zás" da revolução silenciosa e tranquila desenvolvida pelos motores de busca do "planeta www" tem vindo a deslumbrar públicos crescentes e não deixam margem para dúvidas: não existirão "morangos" ou quaisquer outros "açucares" que impeçam o reforço dessa caminhada triunfal pois é precisamente neste novo formato que a sociedade em geral adquire novos conhecimentos para se precaver contra tanta informação que lhe é fornecida, demasiadas vezes de forma aleatória ou até propagandista, de acordo com os critérios editoriais mais ou menos panfletários dos meios de comunicação que tradicionalmente os promovem.

Por outro lado, apesar da globalização da comunicação social (em particular da televisão e da rádio) já não ser de hoje, paradoxalmente continuamos a assistir a uma forte delimitação regional dos espaços de audiência destes meios que, ao invés da Internet, não conseguem criar um público verdadeiramente universal que se internacionaliza por interesses ou convicções e não se deixa manietar, de forma passiva, pela indústria de conteúdos que é imposta.

Para as gerações mais bem preparadas quer em termos informativos quer em termos intelectuais, a Internet tem ainda uma outra avassaladora vantagem, a que resulta da simpatia, ou melhor, da verdadeira química e adrenalina estabelecidas com o utilizador que obtém sempre retorno positivo, ou seja, só recebe aquilo que quer e que lhe interessa e não aquilo que terceiros entendem proporcionar em horário rígido.

Reginaldo Rodrigues de Almeida

Prof. universitário e autor