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Expresso

Reginaldo Almeida

Muito prazer...

Já nada parece ser como dantes. Vivemos num mundo cada vez mais perigoso e, no advento da mundialização, o mal parece ser a única coisa verdadeiramente universal, de escala exponencial, sempre afoito a novas globalidades.

Costumes e hábitos mudam de local para local e independentemente da Pax Americana e das directivas de Bruxelas, cada vez mais o small is beautifull e primar pela originalidade e singularidade dos actos parece ser o lema das organizações que não querem afinar pelo diapasão do politicamente correcto.

Um pouco por toda a parte, promovem-se políticas (e até cultos) de coesão social por mais estranhos que algumas possam parecer.

O próximo dia 22 de Dezembro não consegue fugir à regra e assim o Solstício de Inverno, sinónimo do principio filosófico de recomeço, de renascimento, pretende proclamar a Paz, a Fraternidade entre os povos e o Amor na dimensão elitista, antropológica, tântrica e física da palavra...

Tudo isto porque a Guerra, fenómeno horripilante, responsável pelas maiores atrocidades do mundo que vão muito para além das baixas no campo de batalha, perpetua o analfabetismo, o terrorismo, a fome e a exclusão social e até agora não tem encontrado opositor à altura que lhe possa refrear os ânimos.

No entanto, a Global Orgasm não deita os lençóis ao chão que o mesmo é dizer esgrime a última das fórmulas mágicas e desenha a mais tentacular e insinuante das armas secretas: a produção colectiva de orgasmo, denominador comum de vontades, obtido no fervor da prática sexual, ainda que centrado (na intenção, claro está) numa cultura humanista, de paz para o mundo, em alternativa àquele intenso prazer de escopo individual e egoísta.

De acordo com o repto deste verdadeiro sindicato dos sentidos, naquele dia, àquela hora, de acordo com a contagem decrescente do relógio do orgasmo global sincronizado, alojado no site da organização (pese embora a diferença dos fusos horários) novos, velhos, enfim, todos aqueles que se sentirem com força e estímulo bastante deverão alistar-se nas fileiras dos que gemem pelo mundo.

Esta inovadora modalidade pelos vistos não quer deixar ninguém de fora, ainda que aqui os internautas solitários, amantes do cibersexo e das generalizadas práticas do denominado sexo seguro possam, eventualmente, vir a ser considerados "sexo-excluídos" por mais cliques que descarreguem no rato...

Já nem tenho a certeza se este mundo é mais perigoso, agora não tenho dúvidas que é um mundo seguramente mais estranho.

Bom, nesse dia, quem não estiver pelos ajustes, pode sempre, em prol da causa cantarolar a canção do Pedro Abrunhosa, aquela do Talvez...

Reginaldo Rodrigues de Almeida

Prof. universitário e autor