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Expresso

Reginaldo Almeida

Ligados à máquina

Dizem os entendidos que o Simplex não é assim tão simples e que por demasiadas vezes tem vindo a ligar o "complicómetro" junto dos cidadãos-utilizadores.

Afinal, aquela sedutora plataforma de convergência de novos procedimentos que anunciou o pacote das 333 medidas (atenção, não é nenhum número cabalístico, nem diz respeito a nenhuma passagem do Código Da Vinci) parece que não está no seu melhor e, teimosamente, impede que algumas macroestratégias ministeriais consigam levar o e-mail a Garcia que o mesmo é dizer, não correspondem às expectativas de simplificação criadas.

Recentemente, muitos empresários das novas tecnologias mostraram o seu azedume pelos fracos resultados obtidos (alguns certamente fixados em objectivos comerciais que em muito poderiam ter contribuído para o incremento da Demonstração de Resultados lá da empresa) e até o próprio Governo fez o acto de contrição e reconheceu que a modernização administrativa e o intuito de aproximar o Estado dos cidadãos ainda tem um longo caminho a percorrer.

No passado, no âmbito do Plano Tecnológico, criaram-se mecanismos de incentivo, foram dados à estampa leis e portarias (ainda em papel, lembram-se?) que impuseram novos comportamentos e novas perícias profissionais na secreta esperança de catapultarem os utilizadores cá do burgo para a grande velocidade das auto-estradas da informação do 1º mundo ao mesmo tempo que promoviam o emprego científico.

Só que, é mais difícil do que parece e, ainda que dizer mal esteja na moda, ainda assim estou certo que estamos no bom caminho, apesar de todas as reacções corporativas, do gritante analfabetismo puro e funcional, das estratégias tantas vezes incompreensíveis das estruturas sindicais e, fundamentalmente, da pesadíssima máquina burocrática que impera na esmagadora maioria das repartições públicas.

Nesta última afirmação, reside o cerne da questão: pois independentemente da pujança das centenas de medidas, estou convencido que tudo seria muito mais eficiente se a reorganização funcional começasse por dentro, ou seja, se mais de metade da máquina do Estado não trabalhasse para exclusivamente manter...o próprio Estado.

Com base neste canibalismo primário, alimentado pelo mais tenebroso princípio autofágico do desperdício e das muitas "idas à casa de banho" não há tecla ou organização e métodos que resistam a esse coma profundo.

A Sociedade da Informação não se impõe por decretos mas sim por vontades e, tal como as estações do ano, às vezes parecerem demorar mais mas invariavelmente também chegam, também a Infocracia deixará em Portugal de ser um mito.



Reginaldo Rodrigues de Almeida

Prof. universitário e autor