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Expresso

Reginaldo Almeida

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A crescente informatização dos serviços públicos tem vindo a decorrer desde há anos. Facilita os trâmites processuais, aproxima a Administração Pública dos cidadãos e, curiosa e ironicamente, afasta fisicamente esses mesmos cidadãos das repartições públicas, consequência da Internet e da maravilhosa sensação de ubiquidade concedida a todos os que já se prevalecem das denominadas autoestradas da informação.

A simplex ideia da desnecessária deslocação a uma repartição pública para resolução deste ou daquele compromisso, diminui a enervante perda de tempo e o confronto com a antipatia do sistema, contribuindo activamente para o zelo do que tem que ser feito.

De facto, o panorama actual tende a ser outro e o atendimento que generalizado que se vai fazendo nos serviços públicos – com as excepções que invariavelmente sempre continuam a confirmar a regra – é cada vez mais personalizado, garantindo psicologicamente doses de renovada confiança aos cidadãos, que saem dos serviços públicos com um sorriso de estranheza, surpreendidos no bom sentido da expressão.

Poder-se-á afirmar que a crescente informatização dos serviços faz eco na amabilidade do atendimento e cumpre o desideratum do código de boas práticas da função pública? Estará a simpatia dos funcionários a crescer e a acompanhar o evoluir da tramitação técnica das tarefas? O facto da automatização dos serviços permitir o já referido afastamento físico dos cidadãos fará com que o atendimento em sistema virtual e até presencial sejam mais afáveis?

Uma coisa é certa, os cidadãos, principalmente quando se encontram na situação de cidadão-pagador, são seres sensíveis que, no cumprimento das suas obrigações para com o Estado, têm que ser atendidos como se fossem únicos. A apatia e ignorância do atendimento feito à antiga portuguesa criava uma espécie de infidelidade por parte do Estado junto dos cidadãos, bem patente no desinteresse total e na inépcia de quem atendia. O facto da automatização dos serviços criar as condições necessárias a uma maior celeridade no assunto a resolver é fulcral para a necessária gestão da qualidade.

Mais uma vez, e invariavelmente, as características da sociedade actual estão presentes em todos os aspectos que se possam analisar: rapidez e facilidade são palavras de ordem em qualquer cenário sobre o qual se possa reflectir e cumpre o advento do contrato social proclamado pela versatilidade do admirável mundo novo.

Resta, no entanto, trabalhar ainda muito e evitar que as gerações do futuro sejam tecnologicamente tão analfabetas quanto as nossas pois, só assim, as verdadeiras estratégias de Lisboa e de quaisquer outras cidades, vilas ou aldeias deste mundo cumprirão a boa Sociedade da Informação.

Reginaldo Rodrigues de Almeida

Professor universitário e autor