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Expresso

Reginaldo Almeida

Internautas de todo o mundo, uni-vos!

A Internet em geral, o correio electrónico em particular, abalaram o mundo económico e criaram uma espécie de barreira entre as empresas do passado e as empresas do presente, tudo consequência das denominadas novas tecnologias de informação. A propósito, recordo que esta expressão apesar de velhinha continua com a maior actualidade possível, atenta as evoluções tecnológicas sentidas quase todos os dias...



No entanto, as proclamadas vantagens do mundo digital nem sempre têm decorrido da melhor e da mais evidente forma e muitas são as vezes que – curiosamente – o alcance dos objectivos do business to business a par da concretização eficaz das medidas burocráticas na lógica produtiva de Max Weber são muito diferentes daquilo que era de esperar. Sim, também sei... que todos sabemos, mas não custa repetir: independentemente dos hardware´s e software's, o talento é a única coisa que não se aprende nos bancos da Escola; consequentemente, a produtividade das empresas vive do entusiasmo das pessoas  e quer alguns "informatólogos" queiram quer não, o HumanWare é a pedra angular de todas as estratégias e/ou planeamentos empresariais.



Todavia, há um aspecto interessante que mostra peremptoriamente a real mudança dos velhos centros de poder pois se até ao passado mais ou menos recente a dimensão, a solidez e a capacidade de afirmação comercial e social das empresas, por anedótico que pareça, podiam medir-se na mesa de trabalho do contínuo da entrada, ou seja, através do maior ou menor volume da correspondência fisica recebida: gordos envelopes A3, tantas vezes rotulados de confidenciais e intransmissíveis, ou ainda cartas de porte pago registadas, ao lado dos estafados envelopes de comunicação interna, tudo numa verdadeira lógica de mercadoria em pequena ou grande velocidade. A finalizar, em sequência de ritual solene, cartas e envelopes já tatuados pelo carimbo da correspondência recebida, faziam as delícias de alguém que concentrava nas mãos o poder quase absoluto e descricionário, distribuindo-os a quem quisesse e quando entendesse oportuno.



Agora, o correio electrónico promoveu alterações inevitáveis na democratização da informação e ainda que o extremo oposto possa não ser a solução ideal face à completa desumanização do conceito do emprego e da coesão social, a fazer lembrar a estória da fábrica, do cão e do engenheiro, não tenhamos dúvidas, é bem melhor assim. Já não se justificam falsos receios e que esta capacidade seja um degrau de uma escada que se quer interminável.



É verdade...quanto à estória, quem não conhecer, basta perguntar!

Reginaldo Rodrigues de Almeida, Professor universitário e autor