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Expresso

Reginaldo Almeida

E muita descontracção natural...

Neste mundo, pleno de espessas redes de comunicação, o preceito de informar e de estar informado é simultaneamente um direito e um dever de cidadania mas, ao mesmo tempo, algo verdadeiramente complexo e cada vez mais subjectivo. Tomemos dois exemplos, ambos no campo da saúde, seguramente a área de interesses que mais nos toca.

Por um lado, temos a H5N1, ou gripe das aves para os amigos, que já assinou a certidão de óbito de algumas centenas de pessoas pelo mundo fora nos últimos tempos e cujo contágio entre humanos foi durante muitos anos improvável mas, tal como as bruxas, essa estirpe de gripe existe e os resultados no futuro serão aqueles que ainda ninguém sabe estimar ao certo. Aliás, há quem associe a gripe espanhola, a maior pandemia de todos os tempos, à gripe das aves, assim como à gripe suína.

Uma coisa é certa, actualmente não falta informação detalhada e, nas épocas mais remotas, não existiam Comissões de Acompanhamento, nem nos aeroportos ou em todos os outros terminais de transportes eram distribuídas folhas aos passageiros com informação sobre o assunto a par dos comportamentos preventivos a adoptar. Recuando alguns anos, em Portugal, nem sequer se sabia que um cisne de um qualquer lago da Sérvia transportava o vírus e o assunto raramente se discutia em programas de rádio ou em fóruns na Internet. Mesmo hoje, quando lêem uma notícia dum açor, ganso ou pato contaminado lá pelo outro lado dos confins do mundo, muitos continuam a achar ridícula a preocupação e vocacionam o pensamento para o frango no formato do bem ou mal passado na grelha que, com certeza, por via do calor das brasas, não terá vírus nem bactérias agarradas quer à pele, quer ao osso...

Por outro lado temos a SIDA, cujo contágio se faz entre humanos. O número de mortos causa inveja às guerras e sobre a qual se produzem campanhas informativas à escala planetária ainda que sem grandes resultados à vista pelo menos no continente africano ou asiático.

Mas porque  será que no caso da gripe aviária a informação esclarecida ajuda, de facto, a prevenir o mal e a possibilidade da notícia de um animal infectado aqui ou ali poder ser transmitida para todo o mundo, permite localizar a progressão da doença, enquanto na senda da peste do século XX - apesar das toneladas de informação disponível – os portadores escondem essa triste sina eventualmente com o receio de socialmente serem abatidos como uma ave selvagem?!

A moral da estória mostra que os extremos quase sempre se tocam e que tudo se resume à forma como é encarada a questão e prende-se com Contágio versus Prevenção e, em ambos os casos, a informação, ainda que vital, não é igualmente eficaz. Porquê? Simples: morrer de H5N1 a culpa é das aves. Morrer de SIDA, a culpa é de cada um e todos sabemos quão difícil é para cada um assumir essas culpas...

Conclusão, por muita informação que exista (e existe), por mais esclarecida que seja (e é), o adequado combate a este e a muitos outros problemas depara-se sempre com o maior dos inimigos: a estupidez das pessoas...

Reginaldo Rodrigues de Almeida