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Expresso

Reginaldo Almeida

Ciber-Woodstock

Lily Allen é jovem, é britânica e tornou-se famosa ao transformar-se num dos mais recentes fenómenos de popularidade da música pop.

 

Revela, de forma extraordinária, os perfis dos novos formatos de consumo ao mesmo tempo que mostra a força surpreendente da Internet, cada vez mais próxima do catecismo de uma nova "teologia da libertação", uma espécie de nova religião para jovens, certamente bem mais poderoso que a mensagem dos tradicionais cultos, de escopo exclusivamente espiritual.

 

Plena de oportunidade, Lily Allen demarcou-se do som roufenho das bandas de garagem e das noites mal dormidas; das tournées esforçadas em pub`s na esperança de exibirem os méritos às etiquetas discográficas ou aos empresários de escrúpulos nem sempre em dia.

 

Preferiu a estonteante velocidade incrivelmente envolvente das auto-estradas de informação e, num ápice, através de uma autêntica jogada de mestre encontrou a fórmula mágica de sucesso para o eventual talento e, de forma segura, para a conta bancária ao instalar-se numa página do MySpace, um dos maiores e mais badalados show-room`s da actualidade e assim, num par de meses, subordinar quatro milhões de fervorosos consumidores que em acto contínuo descarregaram a sua música.

 

Ao mesmo tempo que se assinala a notoriedade de tal proeza, uma análise mais atenta pode colocar algumas questões que aplicadas ao caso vertente não parecem despiciendas: terá esta jovem de 21 anos boa ou má presença em palco, alguém sabe? Conseguirá perante um público exigente colocar a voz com o mesmo virtuosismo com que o faz através de sofisticados remixes de estúdio? É outra pergunta que aqui se pode deixar.

 

Estou em querer que a chegada aos top's europeus de temas como "LDN" onde canta a cidade de Londres, ou "Smile" que, apesar do título, é doseado com lágrimas, nunca teria acontecido, pelo menos de forma tão vertiginosa, caso os infonautas deste mundo não estivessem (como estão) tão propensos à labelização da blogosfera e à amplificação das causas irreverentes que preenchem o quotidiano.

 

Dois factos, um verificável e outro por antecipação: primeiro, o Google devolve-nos quase seis milhões de resultados com o nome de Lily Allen, a (nova) Rainha da pop, como alguns já lhe chamam (é obra! Será prima...?); segundo, outros virão a seguir, com maior ou menor fidelidade de formatos, melhores ou piores vozes, superiores ou inferiores resultados.

 

Conclusão, com a Internet qualquer pequena abertura ou postigo podem ser rapidamente transformados em windows de oportunidade.

 

Reginaldo Rodrigues de Almeida

Prof. universitário e autor