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Expresso

Reginaldo Almeida

2 + 2 = ao que quisermos que seja!

Cada dia que passa ando mais confuso tantas são as vezes que as estatísticas nos transformam em meros dígitos. Uma espécie de teia social, sem fios, toma conta de nós e com grande poder de estrangulamento pulveriza tudo e todos, independentemente da condição de vida ou extracto social.

Para maior latitude da defesa da tese apresentada, refira-se que a própria ciência económica, rotulada no passado pelos pensadores clássicos como a arte do bem-estar e técnica da obtenção, sempre afoita no combate à escassez, está hoje em dia completamente arredada desses desideratos e, em alternativa ao verdadeiro desenho do seu contrato social, escraviza-nos em nome de deuses maiores que catequizam com critérios de convergência, spred´s e euribor´s  de duvidosa qualidade de vida e da forma mais enervante possível teimam em não passar da teoria à prática e, em sessões contínuas,  renovam o sucesso de bilheteira de um filme já estafado de tanto rodar: "A Verdade Enganadora".

Também através do aparente conto de fadas tecnológico, as estatísticas estão tradicionalmente plasmadas em pomposas retóricas ao mesmo tempo que se transformam num verdadeiro erro de casting pois descrevem o desemprego mas esquecem frequentemente os desempregados; falam da pobreza mas quase sempre ignoram os pobres; analisam a doença mas por hábito omitem os enfermos.

A crescente robotização, elogiada pela Nova Economia, cria novos estereótipos, novas formatações, interpretadas até ao limite por matrizes declaradamente economicistas  (o nosso governo... sem dúvida, um excelente exemplo!) numa dinâmica que parece não ter fim e relega para prémio de fim de carreira o escopo da Economia Social que ainda recentemente tanto entusiasmava muitos fazedores de opinião.

Os manuais escolares da gerações mais novas, por exemplo, apoiados nas novas "dinâmicas" das recentes políticas sociais, preferem a gestão dos recursos humanos em alternativa à (correcta) gestão de pessoas.

A concluir, ainda mais preocupado que no início, constato que este deslumbrante mundo dos números ordenados, consubstancia a verdadeira (e não menos perigosa) realidade virtual pois nem sequer interessa quantos computadores com Internet existem em casa dos portugueses, ou ainda quantos jovens não terminam o ensino secundário. O que interessa é que alguns têm computadores no quarto e no escritório e lá por casa são todos licenciados.

De Esquerda, de Direita ou mais ao Centro temos de concordar que apesar das análises globais, prefiro aqueles que se preocupam com o Eu individualmente considerado!

Reginaldo Rodrigues de Almeida

Prof. universitário e autor