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O suicídio da esquerda democrática

A entrada em funções da nova ministra da Cultura, Graça Fonseca, começou mal logo no dia em que uma dessas guardiãs do templo eternamente de tocaia resolveu fazer-lhe o elogio, porque, declarou, pela primeira vez uma lésbica confessa chegava a governante. Foi o pior elogio que lhe podia ter feito. De facto, ao contrário do seu antecessor na função — um diplomata de carreira e poeta reconhecido —, não se conheciam a Graça Fonseca quaisquer relações com a Cultura, quer directas quer funcionais: apenas a fama de ser uma boa gestora de dinheiros públicos e alguém que sabia mexer-se nos meandros pantanosos da Administração Pública. Isso mais o reforço das verbas orçamentadas para a Cultura deixavam antever o perfil de alguém que, sem preconceitos nem juízos prévios na matéria, trataria de gerir o melhor possível e com o menor ruído possível aquilo que em Portugal se costuma caracterizar por uma política cultural: distribuir o bodo dos dinheiros públicos pelas várias clientelas perfiladas — umas perfeitamente justificadas e necessárias, outras apenas ruidosas. Mas ao ser desde logo promovida (contra a sua vontade, quero crer) como alguém particularmente qualificada pelo facto de ser lésbica, a ministra viu-se duplamente ‘cotada’ — como mulher e como lésbica —, como se qualquer das condições fosse, por si só, uma competência acrescida. Na minha infância, cresci a ensinarem-me que a nossa direita era a mais estúpida do mundo; mas hoje aprendi que a esquerda consegue sê-lo ainda mais.

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