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Nunca é oportuno

Refastelado numa poltrona em São Bento, António Costa foi falando durante 35 minutos, num tom absolutamente monocórdico, adequado à substância do que tinha para dizer: nada. Foi talvez das mais desinteressantes entrevistas que alguma vez vi dadas por um primeiro-ministro. E, todavia, não há culpa alguma que lhe possa ser atribuída por isso: ele, simplesmente, não tinha nada para dizer. E se não tinha nada para dizer, a quinze dias da apresentação de um Orçamento e a um ano de se apresentar a eleições, findo um mandado de quatro anos que se antevê tranquilo até ao fim, não só não tem culpa disso, como provavelmente tem mérito nisso. Não sei se foi ele que matou a oposição se foi a oposição que nunca esteve à altura de o ser; se foram as circunstâncias que o abençoaram se foi ele que as soube prever e aproveitar; se foram as coisas que se tornaram inesperadamente mais simples se foi ele que as não complicou. Mas sei que à roda dele, à nossa volta, nada é assim tão simples e tranquilo — não o é em Espanha, em França, na Itália, na Alemanha, em Inglaterra, na Europa do Norte, nos Balcãs, na Turquia, na Grécia, no que chamamos Europa, no mundo.

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