Siga-nos

Perfil

Expresso

Miguel Monjardino

O México e a parceria de segurança e prosperidade

Na próxima semana, George W. Bush fará uma importante viagem política a uma série de países latino-americanos. A visita do Presidente dos EUA faz parte daquilo a que a sua administração chama "ano de compromisso" com a América Latina. Conter e combater a crescente ambição ideológica, política e económica de Hugo Chávez, Presidente da Venezuela, é um dos objectivos da viagem de Bush. A passagem pelo Brasil, com os temas da diversificação das fontes da energia e a criação de um mercado continental de etanol, será muito notada e discutida. Mas, do ponto de vista da política e da economia o ponto alto da viagem do Presidente americano serão os dois dias no México.

Para o México, o "ano do compromisso" de Washington chega com seis anos de atraso. Em Fevereiro de 2001, George W. Bush, chocou os canadianos e os europeus ao escolher o México como o destino da primeira viagem presidencial. A estadia de Bush em solo mexicano foi muito curta, mas o simbolismo político da viagem foi claro - a nova administração americana queria ter uma relação especial com o México e com a América Latina. O 11 de Setembro, o derrube dos regimes talibã no Afeganistão e de Saddam Hussein no Iraque e as guerras que se seguiram, mudaram completamente as prioridades políticas da administração norte-americana. É verdade que há dois anos George W. Bush e os seus colegas Paul Martin, primeiro-ministro do Canadá, e Vicente Fox, Presidente do México, anunciaram no Texas a criação da 'Parceria de Segurança e Prosperidade da América do Norte'. O problema é que esta parceria e o enorme potencial político e económico deste triângulo não tem sido convenientemente explorado pelos interessados.

Do lado de cá do Atlântico sabemos que os EUA são a maior economia do mundo mas esquecemo-nos que o Canadá e o México também fazem parte do grupo das mais importantes economias mundiais. Desde 1994, o Acordo de Comércio Livre da América do Norte tem vindo a mudar profundamente as economias e as sociedades destes três países. Tão profundamente que o fosso entre os mercados e a política tem vindo a aumentar e a criar grandes problemas em Washington, Otava e Cidade do México. Dois dos principais problemas são o aumento da diferença do nível de vida entre norte-americanos e mexicanos e a explosão da emigração mexicana para os Estados Unidos.

É altamente provável que grande parte desta emigração esteja relacionada com a enorme falta de infra-estruturas na maior parte do México. Tal situação levou a que os investimentos norte-americanos e canadianos se concentrassem sobretudo no norte do país, relativamente perto da fronteira com os EUA. Prosperidade e emprego são coisas que não abundam em muitas regiões do México. Uma possível solução para este problema seria Washington olhar com muito mais atenção para aquilo que a União Europeia fez com a Irlanda, Grécia, Espanha e Portugal ao nível de grandes investimentos em infra-estruturas. O futuro da "Parceria de Segurança e Prosperidade da América do Norte" passa por Bruxelas.

O pesadelo de Clinton

David Geffen, um dos mais poderosos homens em Hollywood, antigo apoiante de Bill Clinton e actual apoiante de Barack Obama disse que o problema de Bill e Hillary Clinton era mentirem com uma facilidade preocupante. A azeda troca de palavras que se seguiu, mostra que a campanha de Barack Obama está a causar grande preocupação junto de Hillary Clinton. Obama, todavia, não é o pesadelo de Hillary Clinton. O pesadelo chama-se Al Gore que acabou de ver o seu filme 'Uma Verdade Inconveniente' premiado em Hollywood. Gore está debaixo de grande pressão para entrar na corrida presidencial no final do ano. Se o antigo vice-presidente começar a perder peso a sério nos próximos meses, o pesadelo de Hillary Clinton poderá tornar-se realidade.

Com amigos destes...

Exceptuando o Iraque, Washington tem apostado nos últimos tempos nas lideranças de países sunitas - Arábia Saudita, Egipto, Jordânia. Todos estes países olham para Teerão com enormes suspeitas políticas e religiosas. Uma sondagem do Centro Gallup de Estudos Muçulmanos mostra que as sociedades dos países sunitas não estão nada agradecidas a Washington pelo apoio político, económico e militar recebido. 79% dos sauditas, 65% dos jordanos, 49% dos marroquinos e 65% dos paquistaneses - cujo país recebeu de Washington nos últimos cinco anos e meio a enorme soma de 27.5 mil milhões de dólares - têm uma imagem muito negativa dos EUA. Do ponto de vista estratégico, o retorno do investimento político americano nos países sunitas é péssimo. O único país onde há melhorias significativas em relação à imagem dos EUA é o Irão. Em 2001, 63% dos iranianos tinham uma imagem negativa da América. Na sondagem publicada pelo Centro Gallup o número desceu para 52%. E se a sociedade iraniana, onde cerca de 45 milhões de pessoas têm menos de trinta anos e as mulheres desempenham um papel cada vez mais importante, continuar a sua evolução, é altamente provável que estes números desçam ainda mais. Números como estes têm de ter consequências estratégicas importantes.