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Expresso

Miguel Cadilhe

Ser competitivo

1 Em pequeno gráfico dito 'Um milagre alemão', o último 'The Economist' faz prova de fogo à sensatez de economias europeias. Usa os custos nominais do trabalho por unidade produzida, 1998-2006. O melhor país é Alemanha, subiu menos que nada. O pior e o mais anticompetitivo é Portugal, subiu uns 35%. Como foi possível esta longa extravagância? O facto é que falharam governos e parceiros sociais nas políticas de rendimentos e concertação social. E a competitividade não perdoa.

2 Afinal, e bem, fechou-se 2006 abaixo de 3% do PIB. Falo do défice público 'estrutural' (expurgado do ciclo e de medidas pontuais). Cai, assim, o ferrete europeu de défice 'excessivo'. Portugal já não fura esta regra. A regra é do Tratado da UE e do novo Pacto de Estabilidade e Crescimento, não é de ministros, eurocratas, analistas - questão é que eles queiram ver e fazer valer o que lá está.

Como se decompõe, porém, a descida daquele rácio 'estrutural' à luz da competitividade? Ou seja, sobretudo, quanto foi de punção fiscal, despesa corrente primária, investimento público? Ora, parece que estamos ainda longe da combinação que mais favorece a competitividade.