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Miguel Cadilhe

Falha institucional

A qualidade das instituições é um ponto nevrálgico da democracia. E da economia. Novo e premiado ramo da análise económica debruça-se sobre 'variáveis institucionais'. Por exemplo, como, porquê, juízes geram graves atrasos da justiça? Professores empobrecem eficiência do ensino? Médicos mantêm máquinas e horários subaproveitados, com doentes por atender? Militares compram inúteis equipamentos? Sindicalistas defendem excessos de pessoal, com baixa produtividade? Deputados são tantos e trabalham tão pouco? Legisladores legislam mal e demais? Burocratas menosprezam a 'satisfação do cliente'? Empresas cultivam economia informal? Empresários fragmentam o cume associativo? Desempregados nativos recusam trabalho de imigrantes? Políticos investem em maus projectos? Eleitos rasgam solenes promessas eleitorais, como se eleitores não tivessem memória? Primeiros-ministros trocam mandato por outras funções?... Estudos revelam que, em Portugal, boas reformas institucionais podem fortalecer o produto potencial, atenuar custos de contexto, melhorar a competitividade. Bem precisamos de empurrar para cima a tendência de crescimento.

(Com esta 25ª crónica quinzenal, encerro o grato desafio, que o Expresso me lançou, de tentar dizer mais em menos espaço. Mil caracteres!)

Miguel Cadilhe