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Expresso

Manuela Ferreira Leite

O tempo errado

Julho a Setembro é o período em que o INE confirma um crescimento negativo da economia portuguesa de 0,1%.

Julho a Setembro é o período em que o Governo sempre negou a crise e garantiu que Portugal passaria incólume à situação financeira internacional.

Julho é o mês em que se denunciou que não havia dinheiro para nada, ou que, leia-se, a crise estava à porta.

Setembro é tempo em que se sentiu dificuldades de acesso ao crédito.

Setembro é tempo de preparação do Orçamento para 2009, em que os dados relevantes eram conhecidos, mas não foram tomados em consideração, construindo-se assim um instrumento de política económica irrealista e imprudente.

Desde Setembro que se defende o pagamento do IVA no momento da emissão do recibo e não da factura. Só agora surge essa proposta, mas apenas para o sector transportador, quando deve abranger todos os que voluntariamente o desejem.

Há meses que se defende o pagamento das dívidas do Estado às empresas. Quando tal chegar, provavelmente não vai a tempo de as salvar.

Pior do que a crise é a incapacidade de a prever, é chegar atrasado em relação ao momento em que se devem tomar as medidas necessárias.

Pior ainda, se essa atitude é por orgulho ou teimosia.